Horas antes da nova década, Boris Casoy nos brindou com sua mentalidade arcaica. Enquanto dois garis desejavam feliz ano novo, o áudio vazou e veio o comentário (com risos ao fundo da produção puxa-saco): "Que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto da suas vassouras. Dois lixeiros. O mais baixo na escala do trabalho".
Aí o vídeo foi pro You Tube, todo mundo reprovou, e é claro que ele pediu desculpas. Quem olha o Boris Casoy apresentando jornal hoje não sabe a importância que esse homem já teve. E eu não me refiro à época em que ele fazia a Dona Benta no Sítio do Picapau Amarelo (Tudum! Tssss!).
Boris Casoy foi editor-chefe da Folha de S.Paulo, reconhecidamente o maior jornal do Brasil, por mais que a Globo se esforce. Apresentou telejornais em quase tudo o que é canal de TV e tem uma plateia fiel. É, até hoje, um formador de opinião da classe média brasileira. E tem a opinião que tem. A gente olha um cara com a cultura dele, e não imagina que ele possa ter um preconceito tão baixo sobre as pessoas.
Só que a gente não conhece ninguém, né? Na era do politicamente correto, então, não conhecemos nem nós mesmos.
Às vezes acho que se o áudio do que a gente pensa vazasse, como aconteceu com Boris Casoy, iríamos todos presos. Nossa ignorância nos permite formar *pré-conceitos* sobre as pessoas e generalizar na maioria das vezes.
Porque a gente é assim. Paradoxalmente, quando vemos alguém fazendo algo tão tipicamente nosso, nos chocamos.
Eu não acho que ser lixeiro é o mais baixo na escala do trabalho. Acho que todo trabalho é digno, por mais que seja mal-remunerado. E, vou te falar, tem que ser macho pra varrer por oito horas debaixo de sol, chuva, vento e frio. Eu varro por 15 minutos debaixo do teto do meu apartamento e quase me arrebento.
Mas eu admito que já concordei com muita opinião preconceituosa do Boris Casoy.
Posso não ter exatamente os mesmos preconceitos que ele, mas também tenho preconceitos. Só que graças a Deus meu áudio não vaza. Porque se ninguém fica sabendo tá tudo certo, não é mesmo? E assim caminha a humanidade.
Fui parar num almoço com 60 idosos ontem. Coisa da minha mãe, claro. Aí eu vou, com vestido de frente única e perfume floral, aquele sorriso de dama simpática, cumprimentando todo mundo e tals. Tava cheia de classe, até servirem o almoço. Daí Pedro&Bino saíram gritando atrás do prato de comida, e meu perfume floral foi substituído pelo cheiro de molho de tomate da lasanha.
Mas não era esse o caso. O caso é que toda vez que eu vejo gente velha eu fico pensando em como vai ser quando eu envelhecer. Tá, quando eu envelhecer mais. A impressão que dá é que depois de uma certa idade só as pessoas da sua idade têm paciência para ouvir você. As mais jovens não estão interessadas no que você tem a dizer, e as mais velhas já morreram.
E você sabe que sua vez está chegando. Como deve ser viver sem fazer planos? Não digo planejar uma viagem à praia no fim do ano, mas aqueles planos pra daqui a uma década que a gente faz.
Tudo bem que é pura perda de tempo, já que nada do que eu planejei dez anos atrás acontece hoje. E olha que eu tinha vários planos Bs, e nem eles deram certo. Mas só a hipótese de poder fazer novos planos para daqui a dez anos dá um “up”, né? Faz a gente achar que ainda tem jeito.
O que eu penso é no que acontece quando você sabe que chegou no fim do filme. Quando não tem jeito de ter uma reviravolta no roteiro, porque já é tarde demais. Quando você conclui que a história é (só) essa.
E de “plus” você ainda está flácida, com a cara cheia de rugas e sem dentes. E ninguém quer te ouvir.
Eu fico pensando como vai ser quando chegar a minha vez.
Será que eu vou entrar em depressão? Vou arrumar mais gatos? Vou pagar um michê pra ficar dançando de sunga fio dental pra mim? Vou entrar num Rotary da vida e participar de jantares chatos? Vou virar aquelas putas velhas que tomam porre em botecos de beira de estrada? Vou ser viciada em calmantes/remédio para dormir? Ligarei para o CVV? Serei voluntária do CVV? Nenhuma das anteriores, porque eu devo morrer engasgada com um osso de frango em 2015?
Ter medo do futuro é uma burrice, é fato, e deve haver umas 497 frases de efeito sobre isso, mas uma vez na vida outra na morte eu admito que me cago de imaginar o que eu vou fazer quando me der conta de que minha linha está acabando.
Pronto, já pensei no assunto, já expus meus medos e mostrei a bunda-mole que eu sou. Fecham-se as cortinas e reprimam-se os temores. Passou. Ao menos até o próximo evento com trilha sonora do Ray Conniff.
Estou sentindo uma vergonha alheia danada com esse caso da expulsão da aluna da Uniban. Não conheço a menina, não conheço a faculdade, não conheço os alunos que fizeram a palhaçada. Mas é inevitável ver que o desfecho que a situação teve é mais do que preocupante, é angustiante.
Nesta semana eu tomei um esporro de uma colega de trabalho por usar um vestido que ficava transparente ao sol. Posto que não fazia sol no provador da loja, eu não sabia disso quando o adquiri. Tomar conhecimento da situação me causou um constrangimento sem fim. E fora isso, uma raiva danada da gorda recalcada que me acusou de querer me exibir indo trabalhar com uma roupa indecente.
Triste é constatar que essas pessoas estão aí, no mesmo mundo que a gente, trabalhando e estudando do nosso lado – cuidado, algumas inclusive dormem do nosso lado. E conviver com elas faz parte das agruras de ser humano. Não há nada mais fascista do que querer que o outro seja igual a você. Então, vá lá, viva a diversidade.
Mas o que mais me emputece mesmo é ver que ser pequeno a mulher ainda é na sociedade de hoje. Como ainda é fácil humilhar e desrespeitar uma mulher, com a conivência, inclusive, de mulheres. Quando eu vejo gente falando que a menina “pediu” o que aconteceu com ela por causa da roupa que estava usando, dá vontade de chorar.
Não vou dizer o já gasto “se isso está acontecendo em uma universidade...”, porque honestamente não considero a Uniban uma universidade. Assim como Unip, Uninove, FMU e outras tranqueiras que sugam o dinheiro do estudante em troca de um diploma cujo valor de mercado é igual a zero. O fato é que enquanto a classe alta paga cursinho no Anglo pra passar na USP, os pobres vão pra Uniban e acham que também têm ensino superior. Vô sê dotô.
Independentemente de onde tenha se dado o incidente, o que me incomoda é o fato de isso ainda acontecer. É o fato de que mesmo com todo o conhecimento estando tão mais acessível nos dias de hoje, as pessoas ainda insistirem em serem reacionárias como 40 anos atrás. É o fato de o cara querer ter um diploma de nível superior, mas manter sua mente provinciana e preconceituosa.
A ideia da universidade era a busca pelo saber. Hoje virou a busca por melhores salários. É por isso que a gente vê tanta gente ignorante correndo atrás do deproma. E enquanto os quatro anos não passam, elas jogam truco.
Uma vez eu comecei a namorar um cara que não tinha curso universitário, era mais duro que pau de tarado em porta de zona e falava “pra mim fazer”. Logo eu, jornalista e revisora de texto, filha de uma professora de português. Comentei o fato com a minha mãe e perguntei o que ela achava.
Ela me disse que eu não deveria me preocupar com o nível de instrução, nem com o nível econômico do cara, mas sim com o tipo de mentalidade dele. Porque instrução é algo que se pode adquirir a qualquer momento, e a situação econômica de uma pessoa sempre pode mudar. Mas quem tem mentalidade pequena vai ser sempre ignorante, não importa quantos livros leia ou quanto dinheiro ganhe.
E, na boa, se tivesse vestibular pra mentalidade, não teria aluno pras tantas universidades que existem por aí. O que fazer com elas? Algo mais útil, como transformar em estacionamento.
Sério que fiquei passada de ver que meu último post foi em julho. Não achei que estava assim há tanto tempo sem escrever. Mas aí me lembrei do Twitter. Sim, eu aderi àquela desgraça. Sim, ele fudeu a minha vida. Só não digo que eu engordei por causa do Twitter, porque a gente sabe que certas coisas caminham lado a lado com o Gênesis.
Enfim, há mais de ano que amigos comentam que aquilo é tudo de bom. Mandam convitinhos e tals. Eu olhava pra página deles e achava tudo chatíssimo. E não encarava.
Só que depois que eu visitei perfis geniais como @ocriador, @millorfernandes, @kibeloco, @juvenaljuvencio, @mrguavaman, @diaboloiro, @luizasm, @katylene e @danieli_, entre outros, eu resolvi participar também.
E lá se foi a minha vida. Confesso que já aconteceu mais de cinco vezes de eu passar uma sexta ou sábado à noite tuitando em vez de saindo, dançando, trepando, morrendo ou whatever. Também tenho gastado bem meu horário de almoço conferindo posts, em vez de almoçando.
Já a leitura empacou feito gorda em catraca: já são dois livros começados empoeirando ao lado da cama. Pra ajudar agora eu tenho um smartphone, o que me permite ficar tuitando na internet, até onde não tem internet.
Na última vez em que fui ao estádio ver meu time jogar levei o telefone comigo e não tive dúvidas: fiquei tuitando o jogo inteiro. Tudo bem que o jogo era São Paulo X Atlético MG, que teve um gol no 1° minuto do 1° tempo, e depois 89 minutos de puro sofrimento e frio. Mas ir ao estádio era algo que eu costumava gostar de fazer.
Em resumo, o Twitter é mais uma daquelas coisas que faz a gente esquecer como a nossa vida é pouca e chata. Vem a febre, a gente fica viciado e não pensa em mais nada. Fala besteira, se diverte com as besteiras que os outros falam, conhece gente, e assim caminha a humanidade. Tipo um Orkut mais dinâmico e sem foto.
Você segue alguém e é informado sempre que esse alguém profere um pensamento genial. Por outro lado, toda vez que vc tem um acesso de brilhantismo, os coitados que te seguem também são informados.
Daí vc descobre que tem amigos queridos que só falam besteiras. E gente que vc mal conhecia e nem gostava, mas que é divertidíssima. Incrível como algumas linhas mudam o nosso conceito...
Então vc faz o que faz na vida: se o amigo é muito querido, vc releva o fato de ele ser chato e continua seguindo. Se além de chato ele for megacomunicativo (tipo 50 posts por dia falando besteira), é hora de ele perder um follower, e vc um amigo. Sim, pq se ele descobre que vc parou de segui-lo no Twitter, ele para de olhar na sua cara. Pensa que é fácil? Mas, na boa, eu me arrisquei a perder algumas amizades e parei de seguir um monte de gente. Tudo por uma timeline clean & clever.
Por outro lado, sigo um monte de gente que eu nunca vi mais gorda, e que me divertem diariamente com suas vidas agitadas, entediantes, fracassadas, bem/mal-humoradas, etc.
E se vc nunca me viu, mas quiser me seguir, @8th_floor.
Estava agora gloriosa almoçando na frente da TV quando passou aquele comercial da Kaiser em que três modelos que nunca tomaram cerveja na vida ficavam imaginando como seria se os homens fossem mais sinceros.
Aí segue-se uma sequência de cenas em que os papais-sabe-tudo da vida fazem suas mulheres de idiotas (o que vc quer que eu faça? comerciais que exploram o sexismo são sempre um grande sucesso; talvez a Camille Paglia tenha uma explicação raivosa sobre o assunto).
Mas, enfim, tudo para dizer que eu realmente fiquei chocada com uma cena. O cara está no bar dizendo pra mulher, pelo celular: "Que escritório, meu amor? Eu tô tomando uma Kaiser com a galera!".
Cara, tem coisas que não se conta. Confessar assim, sem mais nem menos, que você bebe Kaiser, é uma delas. A cerveja é um horror. E não tem mulher gostosa nem baixinho de boina que mude isso. Mas não se pode negar que eles seguem tentando.
... e para isso ele fez um vídeo e postou no You Tube declarações de amor a sua futura deusa. Ao som do Kenny G, ele enche nossos ouvidos com o que ele crê ser toda aquela baboseira que mulher gosta de escutar.
E nos brinda com o seguinte momento:
“Noooooossa senhora, eu não posso esperar o momento de nós estarmos juntos, abraçado, coladinhos um com o outro, aquele carinho gostoso que só você sabe dar”.
Aí acho que ele para e pensa que tá fazendo um anúncio que será respondido [será que será?] por alguém que ele nunca viu na vida e tenta consertar:
"Nesse momento, não tenho nem palavras. O negócio é procurar a família", disse o goleiro Fábio, quando voltou ao campo para a premiação. Sua declaração foi poucos minutos antes de Verón, em meio a uma música de ópera, levantar a taça Libertadores, com chuva de papel picado.
Beethoven virou "uma música de ópera". Perguntar pro colega ao lado às vezes ajuda. Na dúvida, ligue para a sua mãe. Ou pro Alex DeLarge.
Ronaldo disse ontem, na Sportv, que o Governo Lula está indicando empreiteiras para o Corinthians construir seu estádio.
Um verdadeiro absurdo. Demonstra claramente o nível de proximidade entre a cúpula corinthiana e o PT.
Além disso, o comprometimento dessa gente com o cartel de empreiteiras fica cada vez mais evidente. José Dirceu, o mentor de Lula, é a principal ligação entre Andres Sanches, Corinthians e o partido.
Esta afirmação de Ronaldo não pode passar despercebida. Precisa ser investigada e questionada pela população.
O Governo não pode servir de intermediário para construção de Estádio para a iniciativa privada. Tenho certeza que há assuntos, no País, bem mais urgentes.
Escândalo Nacional: Governo Lula “doa” CT ao Corinthians Julho 8, 2009 by Paulinho
O escândalo da construção do CT corinthiano continua repercutindo.
O blog apurou, com fontes do PT, que o Presidente Lula já indicou a Andres Sanches o contato de algumas empreiteiras ligadas ao Governo.
Mas a ajuda não para por ai. O custo do projeto seria escandalosamente abaixo do mercado. Mais de 60 % de descontos parcelados a perder de vista.
Traduzindo nas entrelinhas: o Governo do PT praticamente vai doar a obra para o Corinthians.
Os empreiteiros encaram o prejuízo como um favor ao Presidente da República. Um escândalo nacional !
Quem pode garantir que estas empresas não serão, se é que já não foram, beneficiadas em licitações governamentais. Como o Governo retribuirá a “gentileza” ?
O Presidente chefe de quadrilha uniu-se ao que tem medo. O resultado não poderia ser diferente.
A melhor defesa do mundo toma gol de cabeça do Messi. Cristiano Ronaldo, como sempre, pipoca. E o Barcelona é o campeão da Uefa Champions League.
Agora eu serei obrigada a virar a casaca e torcer para o Palmeiras ganhar a Libertadores, de modos que em dezembro a humanidade saberá se Obina é melhor que Eto'o.
Em "Harry & Sally", Billy Crystal diz a Meg Ryan que não existe amizade entre homens e mulheres.
Em Goiás, José Roberto de Oliveira diz a Luziano Costa da Silva que não existe amizade entre homens e homens. Isso rende uma canção bonita pro Leonardo interpretar.
Tem coisas que só o Parreira. O Fluminense perde em casa para o Santos, de virada e de goleada, logo após perder a vaga na Copa do Brasil para o Corinthians no meio da semana (também em casa). A torcida, claro, reclama. Parreira segue pra entrevista coletiva, na qual declara: "O torcedor é muito impaciente". Aliás, que eu me lembre, o Fluminense só ganhou daquele São Paulo esfacelado. Ah sim, e dos competitivos times cariocas no regional deste ano.
Pureza
Essa é a Nina, em foto tirada nesta manhã. Mal sabe que eu marquei banho e tosa pra ela, coitada.
A vida é mais ou menos assim: se você tem emprego fixo, com registro CLT e tudo mais, quando você fica doente, vai ao médico do convênio; se você é profissional liberal e ganha bem, vai ao médico particular; mas se por acaso você é autônomo e ganha mal, você vai na AMA mesmo.
Tem coisas que eu só tinha visto pela TV, tipo a AMA. Ano passado, durante os programas do Kassab, elas apareciam de paredes brancas, com médicos vestindo branco e pacientes de sorriso branco. Talvez pra gente pensar que era o próprio paraíso – ou algum comercial de creme dental clareador.
Pois eu vou te falar que hoje a parede estava ocre, os médicos vestiam azul marinho e as crianças estavam embaixo de grossas camadas de remela. E elas gritavam. Loucamente. Enquanto as mães, verdadeiras discípulas de Angelina Jolie, tentavam equilibrar a criança histérica e seus demais 5 filhos no colo.
Enfim, falar que eu peguei uma fila monstro, que levei duas horas para ser atendida, que provavelmente peguei gripe suína ou tuberculose naquela sala de espera, tudo isso é padrão. Se não aconteceu com você, aconteceu com alguém que você conhece.
Mas o que valeu mesmo o post foi a atendente da recepção. Eu chego lá e ela me pede a carteirinha do SUS e a descrição do meu problema. Após decepcioná-la e dizer que eu não possuía uma carteira do SUS (serve a identidade?), eu conto que estava com uma inflamação na região do apêndice.
Ela mal olha na minha cara, pergunta meu nome completo (puxa, será que isso não estava escrito na identidade?), imprime uma folha, me dá para assinar, junto com a recomendação para que eu aguarde mais uma hora para passar pela médica.
Sem problemas. Eu estou na rede pública de saúde, já sei que vai demorar. Triste mesmo é quando você paga médico particular e toma chá de cadeira. Eu costumo me virar bem em fila. Fiquei amiga de uma mulher que, ao ouvir o relato do meu problema, constatou que não era apêndice. “Acho que você está com infecção urinária”, informou.
Enfim, chega a minha vez. Chego na sala da médica, que diz: “Então, Patrícia, qual é o problema”? “Meu nome é Denise”, corrijo. “Não é Patrícia Simões”? “Não, é Denise Moraes” “Você não mora na Vila Prudente”? “Não, moro no Morumbi” “Ai, meu Deus, a menina preencheu tudo errado!”, diz, referindo-se à gênia da recepção. Suspira fundo, resmunga consigo e segue a ficha até a descrição do problema: “Inflamação no pênis”.
Sábado à noite. As putas já estão belas e perfumadas nas esquinas do centro velho, enquanto seus fregueses chegam mais pontualmente do que chegariam a um encontro com a namorada. Os carros param sem aviso prévio – afinal, não havia como prever que aquela bunda gostosa surgiria assim do nada, e o mancebo precisaria encostar o carro naquele exato momento para saber quanto ela custa.
Eu estou lá também, mas no carro de trás, indo fazer meu plantão de fim de semana no jornal. Algo que minha terapeuta diz ser a desculpa perfeita para a minha fobia social, e eu digo ser uma grana salvadora em vários meses do ano. Inclusive para pagar a minha terapeuta. Afinal, se eu fosse sociável e não tivesse esse dinheiro, para que porra eu precisaria dela?
Mas eu sou obrigada a parar de filosofar sobre o meu umbigo gordo para apreciar a seguinte cena: um casal deitado em um colchão no meio da calçada, com coberta e tudo. Dez e meia da noite e os homeless já se lançavam àquele soninho gostoso de um fim de semana friozinho. Mais um pouco e a gente podia usar o cenário pra fazer propaganda de sopa instantânea.
O que fodia todo o romantismo da coisa era que a mulher, provavelmente a dona do colchão, estava no meio de uma DR daquelas com o cara. Ela punha o dedo na cara dele e falava não-sei-o-quê séria, muito séria. O bofe, então, fazia que ia se levantar, no estilo “eu não preciso ficar aqui ouvindo isso”, mas o fato é que ele precisava (foi daí que eu concluí que o colchão era dela), porque ela puxava ele de volta e ele voltava. Ele realmente não precisava ficar lá ouvindo aquilo, mas dormir no chão duro e sem coberta era pior.
Enfim, o semáforo abriu, eu engatei a primeira, e a cena ainda se repetia, como um filme defeituoso. E então eu fiquei pensando que soberbo talento o ser humano tem de piorar o que já é suficientemente miserável. Você já está morando na rua e dormindo no chão, o que nos leva à conclusão de que você não tem um gato pra puxar pelo rabo. E então você faz uma DR?
Captaram o microfone da amiga Britney durante um show. Só a voz dela, sem aquele pré-gravado que o público ouve. Jisuis. Quero ver quando sair o da Madonna. Pensando bem, não quero não.
Existem momentos em que fico horas a olhar para o meu gato. Com inveja, sempre com inveja. Só Deus sabe o que existe na cabeça de um felino. Mas acompanho as rotinas dele e sei, filosoficamente falando, que ele é feliz.
Nós, humanos, seres temporais por excelência, vivemos aprisionados à ideia do nosso próprio fim. E, como se não bastasse essa terrível condenação, somos também incapazes de habitar cada momento inteiramente. O presente, em nós, está sempre carregado de passado e de futuro: do que fomos, das memórias que temos, do caminho e das escolhas que fizemos; e daquilo que gostaríamos de ser, ou ter, ou fazer. O presente, para nós, não é um lugar para estar. É uma breve passagem a caminho de outra breve passagem.
Sempre e sempre e sempre até a despedida final. Por isso, aconselho: se quiserem entender a natureza da felicidade, comprem um gato. E acompanhem a forma como ele cumpre as suas rotinas com entrega contida e total. Ele não espera nada, ele não deseja nada. A felicidade, para ele, não existe por adição: de objetos, experiências, lugares. Mas por repetição: ele repete as experiências que são significativas. E, em cada repetição, existe a certeza da mesma felicidade.
Um gato ajuda a entender tudo isso. Mas um livro publicado recentemente reforça a ideia. Confesso: comprei o livro sem expectativas numa livraria do aeroporto de Heathrow, em Londres. Só o título despertou a curiosidade: "The Philosopher and the Wolf: Lessons from the Wild on Love, Death and Happiness" (o filósofo e o lobo: lições do selvagem sobre amor, morte e felicidade; Granta, 246 págs.).
Não é manual de filosofia "ligeira". Longe disso. O livro de Mark Rowlands é uma mistura erudita de experiência pessoal e reflexão metafísica, em que Nietzsche, Heidegger e Camus têm participação direta.
Ponto de partida: certo dia, o professor Rowlands leu anúncio no jornal. Alguém vendia lobos por US$ 500. Rowlands entrou na aventura. Horas depois, a casa estava destruída pelo novo hóspede, de nome Brenin, que não poupou a mobília e as cortinas.
Primeira lição: um lobo não é um cão. E, nos 11 anos seguintes e após treino apertado, Brenin foi a companhia do professor. Em casa. Na rua. Em viagem. E até nas aulas, para espanto de colegas e alunos: enquanto o professor dissertava sobre Platão e Aristóteles, o lobo dormitava ao seu lado. As aulas terminavam com um uivo.
O livro de Rowlands é uma descrição pessoal de tudo isso: da relação idiossincrática de um homem com um lobo. Mas o livro de Rowlands oferece-se essencialmente como uma longa meditação sobre a natureza da felicidade humana. Ou, se preferirem, sobre a sua impossibilidade.
Impossibilidade? Precisamente. A modernidade ofereceu-se aos Homens como projeto de construção secular. Por meio da Razão, seria possível conquistar a "sorte" que tanto afligia os gregos e realizar na Terra o que a cristandade medieval apenas prometia para o Reino dos Céus. A felicidade seria uma construção individual e progressiva rumo a um fim determinado. Paradoxalmente, essa ideia libertadora apenas trouxe o seu reverso: se a felicidade era responsabilidade nossa, a infelicidade também.
E, adicionalmente, se a felicidade era convertida em projeto, ela seria igualmente convertida em insatisfação interminável: jamais estaremos onde queremos estar; jamais seremos o que queremos ser; jamais teremos o que queremos ter. A felicidade moderna converteu-se numa vigília permanente: a vigília de Homens insatisfeitos; de Homens esmagados pelos seus próprios ideais de felicidade e perfeição. Viver com Brenin ensinou a Rowlands essa crucial diferença entre Homens e animais: nós vivemos mergulhados no tempo e nas nossas próprias teleologias pessoais.
E a forma como desejamos sempre momentos que são posteriores ao momento presente impede-nos de viver qualquer momento de forma real e total. A infelicidade humana não nasce da nossa ignorância ou da nossa imperfeição. Muito menos da ignorância ou da imperfeição das nossas sociedades. A infelicidade humana é um produto da nossa específica temporalidade. Resta uma questão final: serão os Homens superiores aos animais?
A resposta de Rowlands talvez seja a mais honesta: depende do que entendemos por "superioridade". Sim, um lobo jamais pintaria o teto da Capela Sistina. Mas será a Capela Sistina uma necessidade para um lobo? Ou, pelo contrário, será antes uma necessidade para nós? Uma forma de completarmos a parte que nos falta das várias partes que nos faltam?
A coisa que eu acho mais infame no comercial daquele Boston Medical Group é o slogan: “Faça uma consulta e surpreenda sua parceira”. Vem cá, os caras estão sugerindo que o broxa vá fazer a consulta e não conte nada pra mulher? E então um belo dia ele aparece rijo e lustroso, bem no meio da novela, querendo graça?
Péra lá, já não basta a gente menstruar todo mês, sentir as dores do parto e ganhar menos, ainda que exercendo o mesmo cargo, ainda temos que ter surpresas desagradáveis, como um broxa que volta da terra dos mortos-vivos?
Veja bem, a mulher é um ser adaptativo por natureza. Então, quando o maridão para de funcionar, das duas uma: ou ela arruma outro que funcione, ou tira féria e se acostuma a ficar sem – o que, convenhamos, não é tão ruim quanto parece, afinal no sex é sempre melhor que bad sex.
Então imagina a situação. No caso 1, ela passou a tarde na farra com o encanador, chegou em casa, tomou banho, preparou a janta, e está pronta para dormir o sono dos justos quando o Aderbal começa a tirar a roupa.
- Vai tomar banho, querido?
Mas ele não responde. Só a olha com aquela cara de macho em chamas, e então os nove braços começam a surgir. Você tira um, vem o outro; você tira o outro, vem mais um. É hora de pegar pesado:
- Querido, não vamos nos colocar nessa situação de novo. Você sabe como isso termina.
E é aí que o Aderbal joga a bomba atômica na cara da coitada:
- O Boston Medical Group me salvou, Valeska. Tudo voltará a ser como era antes, meu amor [ao menos pro Aderbal, sublinhe-se].
E enquanto olha fixo pro teto, ela pensa: “Justo agora que eu estava acostumada com o encanador...”.
Já o caso 2 é mais grave e pode terminar em violência. A Valeska ta lá, vendo a Juliana Paes dançar na TV e vivendo de amores platônicos pelos canastrões do horário nobre.
Então chega o Aderbal, sem um pingo de respeito, no meio da novela.
- Ai, Aderbal! O que que é?
- O Boston Medical Group me salvou, Valeska. Tudo voltará a ser como era antes, meu amor.
- Aderbal, antes era um horror. É essa a notícia que você está me dando? Sai de perto! Não tá vendo que eu tô vendo a novela?
- Mas o Boston Medical Group me salvou!
- O Boston Medical Group me fudeu, isso sim.
- Eu não admito! Você tem que cumprir com os seus deveres de esposa!
- Eu já cumpro! Eu limpo a casa, economizo na quitanda e não espalho pro bairro que você é broxa. O que mais você quer?
Aí eu pensei em dois finais. Ou o Aderbal vai arrumar outra mulher para mostrar as maravilhas do tratamento do Boston Medical Group, ou ele insiste em atrapalhar a novela da Valeska e leva um tiro na cabeça. De cima.
A relação ruim entre São Paulo e FPF (Federação Paulista de Futebol) ganhou contornos históricos agora. O Guia Oficial do Campeonato Paulista deste ano dá o São Paulo de fato como ""rebaixado" em 1990 e ""mancha" o título paulista de 1991 do time.
""O São Paulo não se classificou nem na repescagem e foi rebaixado para a segunda divisão", diz o novo guia da gestão Marco Polo Del Nero, presidente da entidade que virou desafeto dos são-paulinos.
O livro histórico do Estadual, porém, obra de Rubens Ribeiro que tem todas as fichas de jogos do Paulista e ostenta a chancela da Federação Paulista de Futebol, mostra que não houve rebaixamento no Paulista de 1990 -o regulamento não previa descenso, e sim a divisão da elite em dois grupos.
O novo guia da federação, no entanto, coloca em xeque o Paulista seguinte, vencido pelo São Paulo. ""Foi um campeonato, no mínimo, esquisito. Beneficiou o São Paulo, que havia sido rebaixado, mas pôde disputar as finais", diz o guia -à época, o presidente da FPF era Eduardo José Farah, antecessor de Del Nero e que hoje é desafeto dele. (RODRIGO BUENO)
A FPF (Federação Paulista de Futebol) emitiu comunicado para corrigir informações do "Guia do Paulista", que dá o São Paulo como rebaixado no Estadual-1990 e que põe em xeque o Paulista-1991.
""A FPF informa que o texto publicado no "Guia do Paulista-2009" no que se refere a "O São Paulo não se classificou nem na repescagem e foi rebaixado para a segunda divisão" não procede", diz a nota, que saiu um dia após a Folha mostrar trechos polêmicos da publicação.
A FPF diz ""lamentar as informações", e o presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, atual desafeto são-paulino, disse que o time foi o ""legítimo campeão de 1991" -o guia diz que esse Paulista foi ""no mínimo esquisito" e ""beneficiou o São Paulo, que havia sido rebaixado, mas pôde disputar as finais".
A FPF culpou o historiador Rodolfo Kussarev pelas informações. ""Como pesquisador há mais de 20 anos, assumo a responsabilidade", diz ele, que alega ter usado como base ""A História do Campeonato Paulista", de André Fontenelle e Valmir Storti. ""O livro foi escrito com base nas informações dos jornais da época, entre eles a Folha, onde os dois autores trabalhavam como repórteres em 1997, ano do lançamento do livro", disseram os jornalistas.
Livro de Rubens Ribeiro com chancela da FPF relata que não houve rebaixamento no Paulista-1990.
Eu passei os últimos 18 dias tentando pensar em algo útil para dizer no novo ano. O que, convenhamos, é uma perda de tempo, considerando que desde 2003 eu não escrevo nada que presta por aqui. Mas eu acho que escrevo, enfim...
Só que eu ando preocupada com coisas mais sérias, como arrumar dinheiro para retocar minha escova definitiva e descobrir uma drenagem linfática realmente eficiente para o que deveria ser minha cintura.
Inclusive, eu poderia passar três séculos discorrendo sobre como Deus esquece das mulheres após uma certa idade e até contar a história da discussão terrível que eu tive com a minha bunda nesta semana, quando ela pegou o elevador rumo ao subsolo e eu tentei argumentar com ela que ainda dá para ficar no quarto andar.
Eu estou despencando. E eu só descobri isso por causa da minha constante ojeriza à minha brancura original. Resolvi ser neguinha. Botei um biquíni, fui pra piscina e entrei em depressão profunda ao me comparar com as garotinhas que têm metade da minha idade.
E enquanto eu penso como leitora da revista Nova, meu cérebro funciona com apenas 20% da capacidade (dieta, cirurgia plástica, maquiagem, basicamente). Nessas fases não costuma surgir nada de útil. Mas o glorioso Luiz Felipe Pondé, que não usa biquíni, não tem seu cérebro bloqueado por esse tipo de preocupação. De modos que ele fez, como sempre, mais um texto magistral em sua coluna de hoje na Folha. Um bom princípio de ano novo.
A luz
Uma leitora pergunta: "O que é um ético de plantão?". O repúdio de algumas universidades brasileiras ao bombardeio da universidade de Gaza é um exemplo. Afora o fato de que não sabemos se o reitor ou o Exército mentiu (a rápida opinião de que prédios civis não sejam bases militares em Gaza já evidencia o amadorismo da discussão), o que chama a atenção é a rapidez com que os acadêmicos (minha tribo) se dispõem ao repúdio.
Intelectuais e artistas deveriam ser mais cuidadosos quando se fazem bastiões da ética, pois o mundo da arte e da cultura é marcado por toda forma de abuso de poder e vícios corporativos. Um ético de plantão faz poses de indignação sem nenhuma prática ética em seu quintal. A pose de indignação virou ferramenta do marketing. Claro que a vida real se dá em meio a um equilíbrio sutil de vício e virtude. Só que nosso ético de plantão negará isso, vendendo uma pose de quem vive fora desse mar cinzento.
Neste verão, confesso, estou assombrado pelos fantasmas machadianos: "Suporta-se bem a cólica alheia", diria Brás Cubas sobre esses plantonistas. A causa dessas assombrações é a longa exposição ao silêncio do campo desabitado e a escuridão. Aqui, tempestades nos deixam na escuridão pré-luz elétrica, e temos uma por dia. Fatos como esses nos devolvem às nossas origens: a luz elétrica é um dos bastiões da civilização contra as trevas. Acredito mais na luz da CPFL do que na do Iluminismo.
Voltemos à minha tribo. Muita gente boa (Carpeaux, Paulo Francis, Ortega y Gasset, Nisbet, Oakeshott) já falou sobre essa nova classe média produzida pela indústria universitária: engenheiros, médicos, cientistas, sociólogos, filósofos profissionais que entendem muito de uma coisa apenas, mas que têm opiniões fáceis sobre todo o resto. Nada mais bárbaro do que "o" especialista.
Esse bárbaro, a partir de seu pequeno diploma, emite juízos sobre, digamos, se devemos ou não colonizar a Lua, partindo de suas minúsculas manias que não se sabem manias. Confesso: também tenho as minhas. Exemplos? Creio que somos motivados mais por paixões ordinárias do que por grandes ideias, penso que mentimos a maior parte do tempo, principalmente quando falamos em nome do "bem coletivo", confio mais em quem se crê mal do que em quem se crê a favor do bem, tenho medo de que o medo seja mais essencial do que o amor e de que, na ausência de luz elétrica, nossas almas penadas nos visitem.
Por volta do século 13, os monastérios perderam o lugar de bastiões do conhecimento para as então recém-fundadas universidades. Temo que, assim como os monastérios medievais viraram poços de vícios e bandidagem, nossas universidades também sucumbam ao peso da mediocridade e do mau-caratismo. Lá em nome do imaginário do inferno, sei lá, cá em nome da miséria burocrática e da "produtividade".
Cara leitora, veja como agem muitos dos éticos de plantão da minha tribo, os mesmos que choram pela universidade em Gaza. Eles não se deteriam diante do aniquilamento de colegas unicamente porque discordam deles. Usariam o poder institucional para negar verbas de pesquisa a seus "inimigos", motivados por conflitos de interesses bem mais mesquinhos do que o conflito de Gaza. O discurso "do coletivo" na universidade quase sempre serve mais à ditadura da igualdade miserável do que à liberdade da diferença que faz diferença: a competência. Lobbies políticos destroem carreiras promissoras sorrindo pelos corredores.
Mas existem dramas gerados pela própria estrutura industrial do "produto científico", diria Adorno. O discurso da produtividade, sua quantificação e burocracia matam o cotidiano acadêmico. Reuniões intermináveis são gastas garantindo que não teremos tempo para nada de relevante. A solução é "produzir mais produtividade". Assim, os burocratas da produtividade prestam serviço à mais vil preguiça intelectual.
Milhares de artigos que não serão lidos são publicados em centenas de revistas que não serão tampouco lidas. Um mar de "objetividade irrelevante". Mas isso tudo ocupa tempo, gera pontuações e dá emprego ao banal. O que ganhamos com isso? A garantia de que a maior parte de nós estará ocupada com a burocracia da produtividade.
Mas por que aceitamos esse desfile de mediocridade organizada? Simples, cara leitora: porque a mediocridade, como uma boa mãe, cuida do futuro dos seus filhos.
Ontem foi o meu primeiro dia de férias. Eu já havia programado almoçar peixe com salada e passar a tarde vendo Arena Sportv.
Eu ia ver a Madonna no domingo, na pista. Só que a bicha me liga às 11h da manhã, perdida em SP.
"Bicha, a senhora tem que virar à direita e pegar a rua tal" "Ah tá. Ihhh, perdi a rua." "Caralho, viado! Péra que tem jeito. Anda mais duas quadras pra cima e entra na rua tal" "Não tem essa rua aqui, não" "Então anda duas para baixo" "Putz, passei a rua" "Bicha, pára esse carro e espera que eu vou buscar a senhora".
Tragos os viados pra casa. Vamos todas almoçar. As bis tinham ingresso sobrando pro show, na arquibancada. Ganhei um de presente de aniversário. Então passamos a tarde enchendo a cara de chocolate e depois fomos gloriosas para o Morumbi.
Atenção! Agora todas olhando para o flash! Isso! Parabéns! Ficou ótimo!
Madonna atrasou duas horas. Começou o show fazendo aquele playback. Torci para que ela cantasse. Então teve uma música em que ela cantou. Aí eu torci pro playback voltar.
Grosso modo, a Madonna vive há 16 anos de algo que ela não sabe fazer. É como se ela fosse taxista. Mas ao contrário do taxista que dirige torto e assistindo novela mexicana na TV preto e branco portátil, Madonna se cercou de outros fatores que a tornaram mais de que uma cantora. E foi isso o que fez o show dela muito legal, ao menos para mim.
As bis não gostaram. Nem os cambistas, diga-se de passagem. Vendiam ingresso para pista VIP por R$ 50. Foram eles que esgotaram os ingressos para o show em tão pouco tempo. Só que quando foi agendado mais um dia, todo mundo conseguiu comprar ingresso e eles morreram com os ingressos na mão.
Enfim, Madonna é esperta. Faz diferente arranjos para velhas canções, se mete com gente nova (nossa amiga Britney e o produtor que eu pegava Pharrell), sabe resgatar o antigo que não é brega (Annie Lennox e seu Eurythmics) e contrata os melhores editores de vídeo e de imagem para trabalhar com ela. Assim até eu.
Foi um show tecnicamente perfeito. E quer saber? Parece que até o público gostou.
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Semana passada, meio que por acaso, assisti "Na cama com Madonna", na TV. O filme foi feito em 1991, quando ela tinha 33 anos.
Além dos penteados e modelitos assustadores que só a década de 90 teve e da constatação de que, aos 33 anos, Madonna ainda não havia aprendido a fazer uma boquete de qualidade, o filme marcou por uma frase dita pela própria: "As pessoas sempre falam como o sucesso muda você, mas ninguém fala como ele também muda as pessoas ao seu redor".
Aos 33 e com cinco discos lançados, ela parecia ter chegado ao topo. Andando de limosine e hospedando-se nas suites dos melhores hotéis, acho que nem a própria imaginava que seria mais ainda do que era à época.
Um ano depois ela lançou Erotica e virou o ícone fashion-gay que deixou sua conta bancária gorda para sempre. Porque se tem coisa que não acaba nessa vida é moda e viado.
Mas, enfim, Madonna já percebia que estava sendo mudada pelo sucesso. Mas, mais que isso, percebia que antes dela as pessoas já haviam mudado. A cena em que sua "amiga de infância" pede a ela que seja madrinha de seu próximo filho é digna de constrangimento.
O que mostra que os péla-sacos são mais importantes do que a gente pensa. São eles os responsáveis por tornar nossos ídolos pessoas completamente desprovidas de contato com a realidade.
André Forastieri, que agora tem um blog, escreveu melhor: "artista não é gente como a gente. Nossos ídolos só olham para o próprio umbigo. Têm certeza de que o mundo lhes deve homenagens e fortuna. Vivem cercados de parasitas que sobrevivem de lamber seu patrono e espalhar que qualquer arroto dele é “genial!”".
Uma pena. A Madonna que esteve no Brasil em 1993 saiu de peruca para conhecer a Mata Atlântica. A de 2008 mostra da sacada do Copacabana Palace o mar de Copacabana aos filhos. Três coitados que são criados dentro de bolhas e, ao contrário do passado da mãe, nunca terão um mínimo de contato com a realidade.
E é por isso que a Madonna tem certeza que canta. É por isso que a Susana Vieira tem certeza que é possível um cara de 38 ter tesão por uma mulher de 66. É por isso que o ultrapassado Caetano Veloso ainda se acredita porta-voz de algo. É por isso que a Preta filha de ministro Gil desfilou como rainha de bateria da Mangueira.
É porque no mundo de hoje tudo está à venda. Incluindo o respeito e o afeto.
Vamos combinar que a amiga Susana tem um santo forte, né?
Eu não faço mais piadinha tirando sarro por ela ter 68 anos e achar que tem 15. Susana Vieira é magra, gata e não tem gordura localizada, tampouco esparramada. É boa atriz, tem carisma e belas pernas. Aliás, eu só não tatuo a cara da Susana Vieira no meu corpo, porque o último que fez isso se fudeu.
Anyway, parece um conto de fadas de humor negro:
A tiazinha casa com o garotão. Toma chifre, perdoa. Ele mata o cachorro dela, ela perdoa. Vai viajar, leva o peso morto junto - e paga, claro.
Então descobre que tá tomando outro chifre. Aí separa. Primeiro o puto vai na TV e diz que a ama. Depois ele aparece na TV com a outra e diz que vai casar com ela. Mas o pior de tudo: diz que a tia foi uma mãe para ele.
M-Ã-E.
Se fosse comigo, eu também desejaria a morte [ainda que devido a um câncer de próstata].
Mesmo assim, eu tô apavorada com o santo forte da mulher.
O problema das mães solteiras é que elas acabam levando seus vermes junto quando vão provar roupas.
As casadas, não. Elas têm alguém para passear com as crianças pelo shopping, enquanto calmamente escolhem saias, vestidos e shorts para ornar o corpinho recém lipoesculpido naquela cirurgia chupa-banha que o maridão pagou.
Mas as mães solteiras, coitadas, além de terem que viver com a humilhação de um golpe que não deu certo, ainda aturam seus pequenos bastardos berrando enquanto dão o melhor de si para entrar naquela saia 46.
Sim, amiga. Sem marido, sem babá de shopping e sem lipo.
Melhor que a amiga Susana é imaginar a mãe do marido da amiga Susana embarcando no caminhão de mudanças rumo a Nilópolis (trilha sonora sugerida: "O portão", do Rei).
Agora, momento apavorada mesmo é a menina ter tomado cola-brinco do michê carioca suburbano e ainda assim ter resolvido ficar com o cara.
Acho que é mais negócio aturar o bastardinho berrando no provador mesmo. Já que é pra sustentar, pelo menos o filho é do sangue.
Esse chimpanzé chama Anjana, tem dois anos e meio e é a nova "mãe" dos dois filhotes de tigres brancos (têm três semanas de vida) que estão sendo cuidados no instituto T.I.G.E.R.S. (The Institute of Greatly Endangered and Rare Species), na Carolina do Sul. Imagens no China Daily.
Nossa, eles estão em êxtase. Meu vizinho está tão feliz. O Pacaembu tá lotado. Não entendo porque eles não ficam onde estão. Eles nunca mais vão ser tão felizes quanto este ano. A não ser que façam outra parceria. Ou que caiam para a série B de novo. E eu juro que isso não é maldade, é realismo.
update: Ele está na janela cantando o porópópó. Eu juro.
Nunca acreditei na "política". Sempre suspeitei de grande parte dos colegas na faculdade que tinham "consciência política". Muitos deles eram maus alunos que aproveitavam a "missão" de salvar o mundo para matarem as aulas. No cotidiano invisível das relações humanas, manipulavam os colegas para seus fins políticos. Evidentemente que alguns eram pessoas de boa fé.
Falas como "o pensar para o coletivo" sempre me pareceram modos sofisticados de servir a uma certa farsa. O "pensar para o coletivo" adora burocracias e autos-de-fé. Essas palavras são ditas contra quem é mais livre do que a "consciência política" gosta. O espírito coletivo detesta a liberdade. E a liberdade não é necessariamente bela.
Esse sentimento se revelou uma consciência filosófica diante do fascismo. Hoje sei que, como me disse certa feita o filósofo alemão Peter Sloterdijk numa conversa regada a vinho, charutos, cachimbos e um delicioso frango que sua esposa faz, "não se enganem, ninguém venceu o fascismo". E por quê?
O fascismo está inscrito na relação entre o Estado moderno e as tentativas de "construção política da vida correta e do bem-estar social". Por isso sua íntima e bem-sucedida relação com a propaganda para "conscientização das massas". Um exemplo de fascismo é o constrangimento do idioma pelo "politicamente correto".
O fascismo não é uma marca restrita de Mussolini, Fidel Castro, Stalin ou Hitler. Essa é sua versão totalitária. O fascismo é um traço da sociedade moderna na "sua forma de construir um mundo melhor" por meio da máquina do Estado e das políticas públicas que moldam os comportamentos.
Explico-me: quando o coletivo age moralmente, ele é sempre fascista. Não importa se seus representantes são eleitos ou impostos diretamente pela força. O poder, às vezes desastroso, criado pela ciência e pela técnica é vastamente investigado pela história.
A crescente burocracia do Estado moderno merece a mesma "desconfiança" porque ela parece querer controlar os mínimos detalhes da vida, distribuindo o "Bem". Não sabemos o que é "o Bem", por isso devemos conviver com práticas diversas "dele". Entre a ciência, os tribunais, os sistemas de comunicação e de controle burocrático, a liberdade desaparece quando o Estado se faz "agente moral".
A soma disso nos leva ao controle dos comportamentos. Há sempre uma relação explosiva entre a intenção de eficácia social e o risco fascista. Quando a política vira moral, estamos diante desse risco.
O Estado hoje entra na sua vida na velocidade da luz. O próximo passo é entrar na sua alma, na sua cama, no seu amor, na criação dos seus filhos, na sua fé e na sua boca. O governo não deve fazer cartilhas "éticas". Aléxis de Tocqueville no seu magistral livro "Democracia na América", antídoto contra a fé cega na democracia, nos chama a atenção para os "detalhes da liberdade".
Defendemos mais a liberdade quando impedimos que o governo entre no cotidiano das pessoas (família, escola, igrejas, sentimentos, virtudes e vícios) do que quando definimos "A Liberdade" em grandes idéias ou políticas públicas.
Quanto mais "cega" é a política para os detalhes da vida, menos perniciosa ela é. A tendência à "tirania dos detalhes" é típica do Estado democrático porque ele se acha um representante legítimo das pessoas (a maioria o elegeu), por isso pensa que deve "definir" o cotidiano delas. Seu modo de legitimação produz sua forma de tirania invisível.
A mania pela saúde, pelo bem comum, pela igualdade, pelo novo, pela construção social de hábitos saudáveis de vida, o ódio à religião (competidora do Estado moderno pela educação das almas) são paixões ancestrais do fascismo. Típico do espírito fascista é seu amor puritano pela "humanidade correta" ao mesmo tempo em que detesta a diversidade promíscua dos seres humanos.
Por isso sua vocação para idéia de "higiene científica e política da vida": supressão de hábitos "irracionais", criação de comportamentos "que agregam valor político, científico e social". O imperativo "seja saudável" pode adoecer uma pessoa. Na democracia o fascismo pode ser invisível como um vírus.
Quer um exemplo da contaminação? Votemos uma lei: mesmo em casa não se pode fumar. Afinal, como ficam os pulmões dos vizinhos? Que tal uma campanha nas escolas para as crianças denunciarem seus pais fumantes?
Vc já odiou alguém? Já conheceu alguém cuja existência fazia o seu mundo um pouco pior? Já houve alguém que vc só não matou por que a Constituição não deixa?
Eu já conheci pessoas de quem não gostei. Houve outras cuja cara eu nunca topei mesmo.
Mas nunca conheci ninguém que tivesse tamanha relevância a ponto de ocupar meu pensamento negativamente por mais de 15 minutos.
Já ouvi histórias de fúria premeditada [se é que isso é possível], do tipo nega que fura o pneu do carro do cara, ou que joga esmalte em cima da lataria.
A minha mãe, quando namorava o meu pai, recebeu um bilhete anônimo, em que dizia para ela cuidar do homem dela, porque ela era “um bagulho” e “seria chutada logo”. Tenho a impressão de que ela se casou com o meu pai só para enfiar no rabo da vaca que mandou esse bilhete...
Enfim, tem gente com tempo para tudo nessa vida. Curiosamente, as ações dessas pessoas estão sempre ligadas ao anonimato. Porque vai ver junto com o ódio tem também o medo.
Taí porque eu nunca odiei ninguém. Meu temperamento de sucesso faz com que eu sempre mande a pessoa tomar no cu antes dos 23’’ do primeiro tempo. Não há rancor que se construa assim.
Mas, supondo que eu não tivesse coragem, provavelmente ficaria pelos cantos me remoendo, rosnando, metendo a boca pelas costas e me retraindo feito uma lesma no sal cada vez que meu desafeto surgisse. Porque além do ódio, eu teria que conviver com a minha bunda-molice de não conseguir falar nada na cara da pessoa. E isso deve ser frustrante.
Portanto, caro frustrado, hoje foi o seu dia. Deleite-se. E depois recolha-se a sua insignificância de novo, tá? Senão eu vou aí e jogo sal em você.
O moço da locadora lembrou que eu existo. A vida é muito mais bonita quando o moço da locadora lembra que eu existo. Eu espero que a vida dele seja sempre repleta de paz e felicidade. Eu espero que todos os seus sonhos se realizem. Porque ele lembrou que eu existo. E ele me fez feliz.
Enfim, feliz me fez a Jéssica, a atendente da Ticketmaster que vendeu meu ingresso para o show da Madonna, ou o maior congresso gay de 2008. O triste do show da Madonna é que numa determinada hora vai bater aquele cio na mulherada, e elas vão tentar agarrar as bichas. Que vão ficar nervosas e gritar "Sai, rachada!". Do jeito que acontece nas boates gays menos avisadas.
De modos que seria interessante arrumar um homem para levar no show da Madonna. E então a mulherada ia entrar no cio e querer compartilhar o MEU homem. E eu vou gritar "Sai, rachada! Cada uma com a sua lancheira!". Do jeito que acontece naqueles relacionamentos em que as coisas ainda não foram devidamente explicadas.
Ai, meu Deus, o moço da locadora lembrou que eu exisito. Como a vida é bela!
Estamos na era do novo mesmo. Nem tanto pela novidade – que eu procuro, procuro e nunca acho – mas por essa valorização exacerbada da juventude e daquilo que ainda não se tem.
E eu, velha, à margem, sofro, observo e bolo planos mirabolantes de vingança.
Veja, por exemplo, o meu jornal. O meu jornal tem em seus melhores profissionais pessoas com mais de 40 anos de idade. Meu jornal em si tem bem mais de 40 anos de idade. Mas o meu jornal é um safadão, que quer lolitas de sainha correndo pela área enquanto ele toma chimarrão no fim de tarde.
Meu jornal me mandou uma cartinha avisando que a minha assinatura termina no mês que vem. E como ele é muito bonzinho, me permitirá renová-la sem fazer absolutamente nada – além de pagar, obviamente.
Então eu ligo lá e pergunto se ganho algum brinde pela renovação. O pobre infeliz me informa que não, e me afoga naquele mar de gerundismo que só as pessoas envolvidas no maravilhoso mundo do telemarketing conseguem criar.
Então eu ligo de novo e falo que quero fazer uma nova assinatura.
[Breve intervenção para mencionar que todo o evento ocorreu num sábado à tarde, enquanto as pessoas normais praticavam atividades ao ar livre, encontravam os amigos ou, mais provável, faziam sexo intenso com parceiros malhados e depilados e tinham orgasmos múltiplos.]
E você sabe o que eles fazem com as pessoas que querem fazer novas assinaturas?
Eles oferecem livros, eles oferecem DVDs, CDs e até um DVD player! Daqueles megabregas que a gente vê no carro do taxista, mas que fica morrendo de vontade de ter.
Sim, senhores, por um preço que eu já pago, um novo assinante tem a sua frente um mundo de novidades e gentilezas.
E eu? Bom, eu tenho a praticidade de ter a minha assinatura renovada sem fazer o menor esforço...
Isso vale para você, minha senhora, cujo marido cortou a unha do pé pela última vez durante o desfile da Caprichosos de Pilares, mais especificamente no meio da avaliação do Dudu Nobre sobre a evolução da escola. E guardou os restos no bolso daquele calção Elite carcomido pelas traças. Aquele que senhora joga no lixo e ele vai buscar.
Então a gente tem que roubar. Do mesmo jeito que a Suzana Vieira faz plástica duas vezes por dia e se veste como eu em 1992, eu vou me fazer de idiota perante o meu jornal.
Eu vou ligar lá e cancelar a assinatura.
Adolfo, é o fim do nosso amor. Não agüento mais essa sua indiferença!
O pessoal da circulação vai me encaminhar para alguém megabom de papo.
Elizete, finalmente pude ver que o que temos é profundo e estarei dando o melhor de si em prol desse amor.
Então eu vou argumentar que quero um brinde, oras.
Ó meu amor, como eu queria acreditar em suas juras, mas sei que você jamais abrirá mão daquele calção Elite carcomido pelas traças.
E aí vai ser a hora que o megabom volta aos bons tempos do telemarketing e me cobre de gerundismos, dizendo que eles não vão estar podendo estar estando me dando os brindes, umas vez que os brindes só podem estar sendo direcionados aos novos assinantes.
Ora, Elizete, vai à merda! Você sabe que eu nunca vou me desfazer do meu calção Elite!
Então eu digo adeus e a Elizete pede o divórcio. E aí voltamos ambas depois de um mês. Ela, depois de uma lipo em 24 vezes ou umas luzes feitas no salão da esquina [honestamente não importa, pq o Adolfo vai estar há um mês sem sexo e pronto para obedecer]. E eu, abanando dinheiro.
E venceremos.
Elizete jogará o calção Elite no lixo. Eu ganharei meu DVD player de taxista. E a Suzana Vieira continuará achando que tem 15 anos.
Um dia lindo, um puta sol e só 23 mil se dispuseram a ver o clássico no Morumbi.
E eu continuo com a minha crise de megalomania, crente que o time ganhou porque eu estava lá.
Incrível, estou invicta. Aliás, até o jogo contra o Ipatinga eu estava com 100% de aproveitamento.
Minha vida é um tédio. Eu trabalho durante a semana e vou ao estádio ver futebol no domingo. Tá me faltando é uma mulher de avental, sem as axilas depiladas, me gritando que o almoço tá pronto.
Eu saí da minha casa ontem à tarde tal qual uma mãe que vai visitar o filho na cadeia. Sério. Foi essa a metáfora que eu usei para a minha mãe para explicar que porra eu ia fazer no estádio se o meu time tava indo de mal a pior.
Eu e mais sete mil coitados fomos provavelmente unidos pelo mesmo pensamento. Sete mil não, porque tivemos uns vários atleticanos achando que o mundo era bonito. Acreditados - no time deles que ainda não havia perdido; e no nosso, que capotava feliz -, eles foram que foram para o Morumbi naquele sábado ensolarado.
Foi quando eu vi que a coisa tava feia mesmo. Quando atleticano pensa que pode fazer a festa na casa do adversário - e o ano não é 1971 -, é porque a coisa tá horrorosa pro lado do adversário.
Eu comprei dois pacotes de Bono, me conformei com Fernando Sampaio [pois é, sinal dos tempos, mas nem o Flávio Prado apareceu], e com os pré-punhetas que sentaram do meu lado. Comecei o jogo sentada, bocejando, quase pegando o livrinho de palavras cruzadas que eu levei na bolsa - achando que precisaria de muito estímulo para agüentar a visita até o final.
E foi com cara de passada que eu vi o Hernanes dar aquele chute. Até os pré-punhetas assustaram. Eles estavam lá, mentindo uns para os outros, sobre garotas cujos peitos eles nem sonham como são - mas que, na mentira, eles até mastigaram, ora pois. Em quantas histórias os meus peitos e a minha bunda estiveram, pensei eu. Quantos - literalmente - calejados já usaram meu santo nome em vão, hein?
Mas algumas garotas dão sorte. O Hernanes faz um gol e os caras páram de mentir sobre elas. Sim, porque depois daquele gol a gente tem que dar uma pausa para as coisas inacreditáveis. Foi por isso que eu me fodi. Porque no interior não tem jogo de futebol decente. Ninguém ia deixar de falar mal de mim porque o Grêmio São-carlense fez um gol. Aliás, ainda que isso acontecesse, o Grêmio São-carlense nunca fazia gol.
E então um gol do Joílson [sim! do j-o-í-l-s-o-n!]. E depois um golaço do André Dias. Em menos tempo do que o período refratário dos espinhentos à minha lateral. Coisa de louco. Eles só tiveram tamanha alegria quando baixaram seu primeiro pornô no eMule. Eu só tive tamanha alegria quando descobri que meu ex-namorado interpretou a borboleta atíria num filme pornô cujo tema era "A floresta encantada!". [tá, amor, eu sei que vc nunca atuou em um filme pornô, muito menos em um com um título estúpido como esse; não fique bravo. onde está o seu senso de humor? tá vendo? você não tem senso de humor. foi por isso que eu te chutei, se você quer saber.]
Mas, no fim do primeiro tempo, quando o HUGO fez um gol, eu vi que precisaria de mais do que palavras cruzadas. Aquele não foi um sábado comum. Passei o intervalo filosofando com os punheteiros - sim, eles vieram avançar em cima da minha bolacha Bono, eu falei que a bolacha era só minha, mandei todos pra puta que pariu e tornamo-nos amigos.
Os punheteiros falaram que finalmente todos podíamos ver o quão bom era o time do São Paulo. Eu já creditava o mérito ao efeito Juvenal. Juvenal foi assistir o treino durante a semana. Estranhamente, o time faz em 15 minutos mais do que havia feito em quatro jogos. Juvenal e sua estatura. Juvenal e sua cara de alcoolizado. Mas Juvenal tem a voz, senhores. Já ouviram ele falando? Pois é, voz grave tem lá suas vantagens.
Enfim, uma brisa antes do mico do próximo fim de semana, quando seremos atropelados pelo Ó Meu Mengo. Particularmente me desanima a idéia de perder para o Ó Meu Mengo. Mas é Maracanã, os caras estão embalados e até o narrador do jogo estará torcendo para o Ó Meu Mengo - como, aliás, acontece com as pessoas que trabalham no meio esportivo e são contratadas da Globo. De modos que, depois de uma goleada, uma derrota nem vai doer tanto.
O mais bonitinho dos punheteiros diz que não assistirá o próximo jogo porque viajará com a namorada [sabe como é, o dia dos namorados é na 5a e, pela primeira vez em quatro meses de namoro, os dois irão sozinhos para algum lugar cujo nome eu esqueci na sexta à tarde]. O pai emprestou o carro; não sei quem emprestou o apartamento. Os outros punheteiros tiram sarro. Dizem que a garota vai sair voando e bater no teto. Essa molecada tem uma criatividade inacreditável...
E eu me lembro que vou passar o dia 12 jogando paciência no computador. E o final de semana trabalhando. Sem viagem. Sem presente. Sem companhia. Pois é. Até os punheteiros são felizes. Putz. Amor, me perdoa pela borboleta atíria.
É inacreditável. O brigadeiro custa dois reais. Eu dou uma nota de vinte. E ela pega a calculadora para saber quanto voltar de troco.
Sim, reencontrei meu amor. Foram cronometrados dois minutos e doze segundos de puro deleite. Fora os últimos dez minutos em que chupei os dedos e comi os granulados que caíram da embalagem.
Por quê?
Simples, porque chegou o inverno, logo a demanda do meu corpo por chocolate aumentou e também porque eu conheci a Mariana.
A Marina é a mulher da minha vida, apesar de ela ter se casado no último sábado. Mas não tem problema, porque o maior talento da Mariana não é influenciado pelo seu casamento.
Ela faz uma massagem que mistura drenagem linfática com modeladora que é algo a ser comentado. Estou murcha. Seca. Gloriosa. A Mariana me faz feliz, porque graças a ela eu posso comer brigadeiro.
Só que ela está grávida. E apesar dos meus argumentos, ela não vai deixar de amamentar - nem de parir - para me manter com a auto-estima em alta. O consolo é que ainda temos Mariana por dois meses.
Então aproveitem. Serão mais dois meses de Denise sorrindo. Tô até emprestando dinheiro.
Dizem que não existe amor à primeira vista. Mentira. Existe, sim. Eu tenho um. Vou contar como.
Eu, quando conheço uma pessoa interessante, saio correndo atrás dela, me oferecendo, sem medo de ser feliz. Geralmente, elas saem correndo de mim, e aí eu descubro que elas não eram tudo isso. Porque gente superior não faz joguinho como qualquer mediano. Mas há as que ficam. E essas fazem a nossa vida melhor.
Eu achei o Rafa no Orkut. Numa comunidade de música que eu e ele freqüentamos. E eu me apaixonei por ele, porque ele era o maior espírito de porco disponível no universo naquele momento. Então eu saí correndo atrás do Rafa. Que primeiro me chutou, mas depois me chamou de volta. E como no caso de gente bacana eu não faço uso de orgulho, eu voltei.
E aí a gente se jogava em umas conversas sem-fim, filosofando sobre tudo o que não leva a nada e extraindo os melhores pensamentos non-sense sobre o assunto. E se divertindo pra caralho.
É uma pessoa com uma inteligência fora do normal e um sarcasmo gritante. E o melhor dele é a sua pouca democracia. Ele tem umas taras por umas porcarias, e você não pode dizer que aquilo é uma merda. Se não ele te fala que merda é você e te manda passar bem. É o único cara que eu conheço que é espontâneo. De verdade.
Acontece que o Rafa resolveu democratizar o que só eu tinha e criou um blog. Lá tem vários dos pensamentos e sacadas geniais do meu amigo. Em pílulas. Como ele diz, "Para o caso de, depois que eu morrer, meus 7 leitores se interessarem pelo que pensei em vida". Pseudo-humildade escrachada. Porque ele deve ter bem mais do que 7 leitores.
Em todo caso, recomendo a vocês, meus 6, que visitem o Post-Mortem e aproveitem o Rafa, já que o temperamento dele indica que um dia, sem mais nem menos, ele vai acordar de saco-cheio, tirar o blog do ar e sumir com todos os vestígios de arquivos, só pra não deixar a gente ficar punhetando com o que ele escreveu. Porque ele é um puta de um chato.
Abaixo, uma amostra. Um post horrível de tão maldoso. E que eu adorei.
Considero o ato de fumar muito masculino. Mulheres que fumam, em geral, são muito frustradas. A fumaça é uma invasão anti-natural que, por motivos que me escapam, é melhor assimilada pelos homens. Talvez saiba. É um ato viril demais, fedorento, rasgante, que exige a deterioração da saúde, da garganta, do cólo, desta área deveras nobre da anatomia feminina. Se você me falar de Lauren Bacall e outras divas do cinema americano, beleza - eu falo de Nair Bello. A mulher que fuma pode ser fatal, um tanto masculinizada até, mas não ama. Ou, o que é mais provável, tem a vontade do amor, mas não a sabedoria de alcançá-lo. A afetação do ato de fumar, supostamente muito romântico na mulher, é a mise en scene que apenas esconde um coração contrito, irrealizado. Não é exatamente um ato de liberdade - é um ato de carência. A mulher, ao chupar um cigarro, está desesperadamente tentando agarrar o prazer que a sua boca não consegue obter de outra forma.
Fazer o pensamento pular da Lauren Bacall para a Nair Bello é de uma maldade única. Qualquer dia pego um vôo até você só pra encher tua cara de bolacha. Passar bem.
Ninguém gosta de saber que é ruim. A gente gosta de achar que é superlegal, inteligente, indispensável, amável e boa de cama. Mas ninguém nunca fala isso da gente, exceto depois que a gente morre. Aí todo mundo vira santo. Mas aí também não serve, porque o cara vai estar morto mesmo e não vai ficar sabendo.
Bom, tem o Orkut, os testemonials e tals. Eu não tenho muitos testemonials, o que é uma prova cabal do quanto eu devo ser chata. Ou uma resposta ao fato de eu não deixar testemonial para quase ninguém. Sim, senhores, o testemonial no Orkut é o sexo oral do novo milênio. Se você quer ganhar, você tem que fazer. E direito.
Que seja. Me disseram que eu sou egoísta. Sim, achei injusto. Sim, fiquei emputecida. Mas diz que agora eu sou uma mulher sensata, então parei para pensar no assunto, refletir se de repente eu não sou mesmo egoísta.
Eu tive alguns lapsos nessa vida, reconheço. Muitas pessoas foram obrigadas a comer pizzas do sabor que eu queria. Algumas tiveram que ver os filmes que eu achava interessante. Mas eu também me lembrei que muitas vezes era eu quem pagava a pizza. E a porra do cinema.
Eu tenho uns golpes baixos básicos. Tipo presente de aniversário. Eu sempre compro um livro que quero ler, e uns dois meses depois peço emprestado. Antes pergunto se a pessoa já leu. Ela dirá que sim, porque ficará sem graça de dizer que não deu a mínima bola para o presente. Então eu pergunto se ela gostou. Ela também dirá que sim. Aí eu lanço o golpe de misericórdia. “Ai, então me empresta? Agora fiquei com vontade de ler”. É feio. Mas funciona. E todo mundo faz isso. Eu, inclusive, tive a idéia de começar a fazer depois que fizeram comigo.
Eu também fazia umas coisas feias quando era criança, tipo esconder o bolo de aniversário dos convidados para depois comer tudo sozinha. Mas aí é uma questão matemática. O bolo era um bolo de chocolate recheado com nozes e doce de leite. E os presentes que eu ganhava iam de colônia Vinólia para baixo. Era tipo aquele programa do Silvio Santos em que a pessoa ficava com os ouvidos tampados: “Você troca esse bolo de chocolate recheado com nozes e doce de leite por uma colônia Vinólia?” “Nããããããoooo!!!”. Se você não acha que eu valho o presente, eu não acho que você vale o bolo. Simples assim. E, convenhamos, Deus me castigou por isso. Hoje são 207 kg e ausência de cintura.
Acho que meu ápice foi quando um amigo meu deu uma festa para “inaugurar” a casa em que ia morar com a esposa. Todo mundo comprou presente e eu também. Comprei três cinzeiros. Eles não fumavam. Eu fui massacrada por causa disso. Eu estava pensando em conservar os pires deles! Eu e as prováveis visitas fumantes teríamos onde despejar as cinzas, oras. E eu comprei três já cogitando o fato de algum quebrar. E do outro também. Ok, foi egoísta.
Tirando essa, que foi realmente péssima, não acho que eu seja egoísta. Acho que sou folgada. E sou folgada porque deixam. Se você fica de quatro na minha frente, eu acho que é para montar. Não vale se jogar no chão e falar que eu quebrei sua lombar. Ou dizer que eu sou egoísta.
Nesse texto a palavra “eu” foi utilizada 34 vezes (35 com essa). Mas eu não sou egoísta (36).
Eu leio na Piauí de maio que a FDI, Forças de Defesa de Israel, assassinou 4.485 palestinos em sete anos.
Na edição da Veja da semana passada, Diogo Mainardi cita uma reportagem de O Globo sobre os 18 mil cadáveres que são recolhidos por ano das ruas do estado do Rio de Janeiro. Não achei o link dessa matéria. Pagando, eles te contam.
E o povo saindo na rua pra reclamar da ocupação da China no Tibete. Deve ter os que tomam partido dos palestinos e dos israelenses também. Tá certo. Porque a gente mora na Dinamarca e a nossa vida é um tédio.
Estão dizendo que ontem o São Paulo estreou de verdade na Libertadores. Sei que foi um dos jogos mais bonitos que eu já fui. Estádio cheio, a torcida gritando sem parar e uma galera figura que eu conheci na arquibancada.
Um frio que Deus mandava, a neblina embaçava a iluminação e o vento gelado cortava o nariz. Fora que assim que saía gol, mal dava tempo de olhar o jogador comemorando e lá vinha o bandeirão.
Reclamar de quê? 42 mil pessoas, com 13 °C de temperatura e jogo transmitido pela TV. Se bem que parece que a Globo interrompeu o jogo para mostrar ao vivo os Nardoni sendo presos - e bem nessa hora saiu o primeiro gol. Na Sibéria não tem nada disso.
Mas no Maracanã tem. Eu só me arrependi de ter ido ao estádio ontem porque não pude ficar pulando com o controle remoto para o 38 a cada vez que o Ó Meu Mengo tomava gol. Porque ao vivo deve ter sido bem mais divertido.
E, olha que coisa, após o jogo, a 'maravilhosa' torcida rubro-negra tentou dar um pau no time. Assim como a maravilhosa torcida tricolor gaúcha quebrou tudo após a eliminação para o Juventude no estadual.
Bonito mesmo foi ligar a TV hoje e ver todos aqueles jornalistas cariocas/puxa-sacos de times cariocas com cara de bunda. Pena que com a saída do Ó Meu Mengo os caras começaram a prestar atenção no São Paulo. Aí vão falar que o time é favorito contra o Fluminense. E aí vai fuder tudo.
Deve ser por isso que eu estou plantada feito uma idiota na frente do computador tentando arrumar alguma coisa pra fazer. O que ninguém nunca menciona é que a insônia tortura não apenas por não permitir que você durma, mas por te fazer achar que vai dormir e depois se ferrar.
Eu bocejava compulsivamente até as dez da noite. Um amigo ligou chamando pra farra, e eu “não, querido. Obrigada, mas eu vou dormir”. Porque eu realmente acreditava que ia dormir. Aí eu deito e congelo na cama. E não durmo.
Só que não é por causa do frio. Porque semana passada tava calor e eu não dormi do mesmo jeito. Eu não durmo porque não durmo. Eu resolvo os principais problemas da humanidade enquanto isso. Penso até a cabeça soltar fumaça. E mantenho os olhos estalados.
E aí entra o quesito obesidade. Porque já que é pra ficar acordada, sem ter o que fazer, eu vou é comer. O negócio é requentar aquela pizza de frango com catupiry e mandar tudo goela abaixo. E depois fechar a suruba alimentar com torta holandesa.
E tentar controlar a frustração de não estar na balada enchendo a cara. Porque depois de bêbada, o único problema que você não tem é falta de sono. Tudo bem que você pode dormir no volante e morrer na volta pra casa. Mas ao menos você dormiria. Na atual circunstância, viva e acordada, o máximo que dá pra fazer é passar o rodo nas músicas do iTunes e ficar baixando porcaria na internet.
A insônia, inclusive, deve ser uma estratégia de marketing dos desenvolvedores de consoles, na tentativa de me obrigar a comprar o PlayStation antes do possível. Eu sei que eu ia comprar três semanas atrás, mas a grana miou. Que porra eu posso fazer? E agora eu fico pensando que se já tivesse um PS poderia estar brincando de GTA, de Winning Eleven, de toca do Garfield, de qualquer porra que me distraísse no momento. E me fizesse esquecer de que eu não sei dormir.
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update
Mas Deus existe e me ama, por isso eu acabo de encontrar um frasco de Rivotril na caixinha de remédios. ho ho ho! merry christmas!
MOSTRA TRAZ DESENHOS DE PETE DOHERTY COLORIDOS COM SANGUE
PARIS, 28 ABR (ANSA) - Pete Doherty, vocalista da banda britânica BabyShambles e ex-namorado da modelo Kate Moss, expõe pela primeira vez em Paris algumas de suas obras, entre desenhos, auto-retratos e poesias.
Doherty não pôde comparecer à inauguração da mostra por estar cumprindo pena em uma prisão de Londres e, segundo os organizadores, disse estar "muito descontente, não tanto pelos shows cancelados, mas por ter perdido essa vernissage".
Intitulada "Art of Albion", a mostra é formada principalmente por desenhos feitos pelo músico em um diário, muitas vezes coloridos com seu sangue.
"Há três anos Pete se dedica à pintura a óleo, não faz outra coisa além de pintar grandes telas. Sua inspiração vem da arte e de poetas românticos, como (Arthur) Rimbaud e (Stephane) Mallarmé. É um artista completo, tem sempre um violão e um lápis na mão", disse uma fonte próxima a Doherty.
"Ele desenha a lápis, depois enche uma seringa com seu sangue e refaz os contornos", explicou a fonte. Segundo amigos do músico, "seu trabalho é muito violento" e "seu sangue é tudo o que resta para exprimir-se".
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Eu estou arrasada por não poder ir a Paris conferir isso. Aliás, a administração do Louvre deve estar tremendo de medo de tal concorrência.
Porque - como é de se esperar dos gênios contemporâneos - o homem não só canta e compõe com um talento inigualável, ele também expressa toda a sua arte em telas, desenhos, poesias e auto-retratos. Este último uma grande surpresa, tendo em vista a humildade do cidadão.
Mas o melhor mesmo foi a aspa: "seu sangue é tudo o que resta para exprimir-se".
E a gente achando um absurdo aquelas vagabundas dadeiras declarando pros fuxicos da vida que são "cantora, modelo e atriz". Agora elas já podem inovar e dizer que são "cantora, modelo, atriz, poeta e artista plástica".
Ídolos do funk, Mister Catra e Mc Créu tinham tudo para virar inimigos, mas decidiram manter a amizade. A confusão começou quando Yani de Simone, a Mulher Filé, dançarina de Catra, alfinetou as dançarinas do Créu, as mulheres Jaca, Daiane Cristina, e Moranguinho, Ellen Cardoso. "Chega de fruta. Homem gosta mesmo é de comer carne", falou a Mulher Filé.
"Eu me amarro em comer jaca e morango. Só não gosto de banana", brincou Catra, que em seus shows toca a Dança do Créu. "Já me pediram para cantar, e eu cantei. E a Filé dançou até a velocidade cinco", disse.
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Juro que a imagem já me ganhou pela pose. Eu não consegui parar de olhar. E pensar que escorada nessa parede, empinando essa bunda gigante, cada uma das três vai ganhar mais dinheiro do que eu trabalhando.
Caralho. Por que eu não investi o dinheiro da faculdade em lipoaspiração? E em academia? E em enxerto pra bunda? E em silicone pros peitos?
Mas bom mesmo são os apelidos. Eu não sei o que é pior, atender pela alcunha de mulher-filé ou ter o nome de Yani. E pausa para imaginar o Washington na escola. "O que é que a sua mãe faz?". "Minha mãe é a mulher-jaca. Ela dança o Créu".
O que me lembra a piadinha do "minha mãe pode". "E qual o nome da sua mãe?". "Pátima".
Confusão ocorreu na quinta-feira, na região da Luz, Centro de São Paulo. Briga ocorreu em frente ao Comando de Policiamento da Capital.
Um fotógrafo do Jornal da Tarde flagrou uma briga de trânsito na Rua Ribeiro de Lima, em frente ao Comando da Policia Militar (CPC) no bairro da Luz, região central de São Paulo. Segundo a Secretaria de Segurança Pública (SSP), o registro da ocorrência feito no 2º Distrito Policial, no Bom Retiro, aponta que a confusão começou quando um dos motoristas foi fechado ao cruzar a Avenida Tiradentes e reclamou que o outro não usou a seta.
Na Rua Ribeiro de Lima, os dois iniciaram um bate-boca ainda dentro dos carros, que acabaram colidindo levemente. De acordo com o tenente Emerson Massera, citado pelo jornal, o homem de roupa social foi o primeiro a descer do carro, mais exaltado e disposto a brigar.
O policial contou que o homem tentou fugir da briga e buscar apoio no CPC ao ver o tamanho do oponente, mas foi alcançado e derrubado na entrada do quartel.A briga foi apartada pelos policiais. O caso foi registrado como lesão corporal. Os motoristas prestaram depoimento e foram liberados. De acordo com a SSP, nenhum dos dois envolvidos foi indiciado.
Cada um colabora como pode. O Palmeiras se vira com o Preá. O Santos, com o Pinto. Mas só o timão tem Perdigão. O Marcel pelo menos é bonitinho. E eu com as pernas para cima me deleitando com a desgraça alheia. Só passo vergonha amanhã.
E o Pato, hein? Ele é a Cinderela mesmo. Ele deve ter vendido a alma pro outro lá, porque não é possível. O cara estréia na seleção e faz aquele golaço.
E você, meu amigo, aí, com essa barriga, nesse escritório mequetrefe, tendo que puxar o saco do seu chefe idiota, comendo aquela sua namorada gorda, que ainda por cima inventa dor de cabeça para não ter que dar pra vc. Pois é, queridão, você é um infeliz. Deus não gosta de você. Se gostasse, vc seria o Pato. Vc seria ao menos o Preá e só teria que puxar o saco do Luxemburgo.
75% das idosas contraíram HIV dos maridos, diz pesquisa
Estudo foi feito no hospital Emílio Ribas, de São Paulo, com cem homens e mulheres com idade superior a 60 anos
RICARDO WESTIN DA REPORTAGEM LOCAL
Lúcia, 70, e Luciene, 64, são da época em que as mulheres tinham de se casar virgens e deviam obediência aos maridos. As duas seguiram a norma cultural da época à risca. Hoje viúvas, guardam dos homens com quem passaram a vida inteira uma dura lembrança. São portadoras do HIV, o vírus da Aids.
Uma pesquisa inédita com os cerca de cem idosos com HIV atendidos no hospital Emílio Ribas, de São Paulo, mostra que, entre as mulheres de mais de 60 anos, 75% foram infectadas pelos maridos. Entre os homens, 80% contraíram o vírus em relações fora do casamento.
O levantamento foi feito a partir dos relatos dos pacientes, entre os quais Lúcia e Luciene. Os nomes são fictícios. Elas falaram com a Folha com a condição de que seus nomes verdadeiros não fossem publicados. Temem o preconceito.
O Emílio Ribas faz parte da rede estadual e é referência nacional em doenças infecciosas.
O infectologista Jean Gorinchteyn, responsável pela pesquisa, diz que as pessoas têm, em geral, uma idéia equivocada sobre os idosos. "Eles, sim, fazem sexo", afirma. "É comum que a mulher perca a libido com a idade, que tenha a lubrificação vaginal diminuída. Mas o homem não sublima a sexualidade. É então que ele busca o sexo fora do casamento. Hoje há remédios para disfunção erétil. E, eventualmente, quando faz sexo com sua mulher, pode contaminá-la."
Recentemente, o Hospital das Clínicas da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) fez um levantamento entre as pacientes com HIV e mostrou que elas tiveram na vida, em média, dois parceiros sexuais. Não pesquisaram os homens. "As mulheres não cogitam usar camisinha porque se sentem protegidas no casamento", diz o infectologista Dirceu Greco, da UFMG.
Lúcia, por exemplo, diz que nunca teve contato com um preservativo. Luciene sim, para não engravidar, mas não guarda boas lembranças -na época, a camisinha era feita de material grosso e atrapalhava o sexo.
O marido de Luciene descobriu ter o HIV poucos dias antes de morrer, em 1998. Ela fez os exames em seguida. "Quando fiquei sabendo, foi um choque. Eu pensava que Aids era doença de gente jovem, de mulher promíscua. Aquilo não fazia sentido na minha cabeça. Além de tudo, nós éramos muito bem casados", conta ela, pedagoga aposentada.
Lúcia soube seu diagnóstico em 1999, quatro anos depois de o marido ter morrido. "Meu mundo desabou. Quase enlouqueci. Mas sabe de uma coisa? Não fiquei com raiva dele. Meu marido me ajudava em tudo na casa e até me carregava no colo. Que homem faz isso hoje?", diz Lúcia, secretária aposentada.
Esse tipo de reação, segundo o infectologista do Emílio Ribas, é comum. Enquanto o homem se sente culpado por ter contaminado a mulher, ela tende a perdoar o marido.
"Algumas não cogitam a hipótese de o marido ter mantido relações fora do casamento", afirma Gorinchteyn. "Há mulheres que acreditam que o marido se infectou por causa de transfusão de sangue em cirurgia de catarata. Essa cirurgia, como se sabe, não precisa de transfusão. A mulher mais velha guarda do homem uma visão de provedor, protetor."
Há faixas etárias em que a incidência da Aids está diminuindo. Entre os idosos, porém, está aumentando. Nos homens com mais de 60 anos, os novos casos subiram de 5,8 (por 100 mil habitantes) em 1996 para 9,4 em 2006. O índice entre as mulheres com mais de 60 subiu de 1,7 para 5,1.
Ontem eu fui na Funhouse. Isso significa que eu só posso voltar na Funhouse daqui a uns oito meses. Eu não sei o que acontece, deve ser alguma coisa no ar de lá ou da cerveja, mas toda vez que eu vou na Funhouse eu pago mico. Mas também ontem eu conheci o PH e o Pedro. Isso foi legal.
Depois de uma semana desenvolvendo todas as infecções possíveis e imaginárias, cá está ela com aquela saúde teimosa, de volta à vida. Pensando bem, é bom demais ficar doente. É a desculpa que ela precisava para pedir almoço no América e janta na pizzaria. Afinal, ela está destruída, nariz congestionado, não é bom ficar na cozinha fazendo esforço. Então ela se esforça para digitar a senha do cartão de débito na maquininha do Visa Electron e entrar em processo de engorda, comendo bife com queijo derretido e batata-frita.
Aí que Deus manda a segunda-feira – inclusive ele faz isso toda semana; incrível ela ainda não ter se acostumado – e ela se joga cheia de fé na academia. Lá estão todas as pessoas que se exercitaram na semana passada, ao invés de ficarem jogadas embaixo do edredom comendo chocolate Casino, de modos que tá todo mundo saudável, com bom-humor e pele boa.
“Que bela merda”, ela pensa, enquanto se exercita naquele aparelho que dá câimbra, provavelmente porque ela está ficando velha. As bundas rochosas desfilam a sua frente. Essas vadias devem ter começado a malhar na pré-escola, época em que ela se escondia da empregada pra poder comer todo o pote de io-iô crem.
Mas o ápice vem mesmo quando ela vai pro Pão de Açúcar comprar o almoço (ou seja, a salada). Ela pára no quiosque “Coisas do coco” e fica na vitrine olhando seu objeto de desejo, um brigadeiro gigante, cremoso, saboroso, delicioso, garboso, maravilhoso. Não é aquele brigadeirinho merreca de festa de pobre, nem aquele padrão médio que tem nas docerias por aí. É um puta brigadeiro, daqueles em que não economizaram no leite condensado. Custa R$ 2. E é pra comer gemendo, porque é melhor que muito sexo.
E no momento em que ela está com as duas mãozinhas de Horácio escoradas na vitrine, com ar de desejo intenso, vem à memória Audrey Hepburn em frente à vitrine da Tiffany’s. Momento de humilhação completa. Ela poderia passar a tarde desejando as jóias da vitrine da Tiffany’s. Mas não. Ela se planta na vitrine da Coisas do coco e declama poemas para um brigadeiro.
Até 2003 eu costumava dizer que coca light tinha gosto de porra gaseificada. Não que eu já tivesse experimentado (a porra), mas é que ela (a coca light) tinha um gosto tão ruim que só poderia ser comparado ao gosto da outra (a porra de novo). Afinal, se o gosto fosse bom, a gente não veria os caras gozando na boca das minas no filme pornô e elas cuspindo. Quando a atriz pornô cospe é pq o negócio é ruim mesmo.
Enfim, até 2003 pq foi o ano em que eu tive a proeza de pesar 70 kg. Qdo vc se assemelha a um mamute, vc topa qualquer negócio para não se encarar daquele jeito no espelho. Então, se o endocrinologista te manda tomar coca light, vc toma. E pensa no comercial da tônica Schweppes: não é ruim; vc é que não está acostumado.
E a gente se acostuma com tudo mesmo. Ao ponto de achar a coca light mais gostosa do que a coca orginal. E de morrer de felicidade pensando que vc se entope de refrigerante e só ganha celulite (pôxa, antes vc ganhava celulite plus banha).
E então numa bela tarde de segunda-feira vc entra na internet e dá de cara com isso:
Um estudo realizado em ratos nos Estados Unidos sugere que a ingestão de sacarina - tipo de adoçante usado principalmente em refrigerantes dietéticos - pode provocar aumento de peso maior que a ingestão de açúcar.
Segundo os pesquisadores da Universidade de Purdue, em Indiana, o sabor doce causado pelo consumo de sacarina estimula o sistema digestivo a se preparar para a ingestão de uma grande quantidade de calorias.
Se essas calorias não são ingeridas, eles afirmaram, o organismo fica desregulado e, como resultado, pede mais comida ou queima menos calorias, o que provocaria o aumento de peso.
O estudo, publicado na edição desta semana da revista científica Behavioral Neuroscience, gerou reações da indústria alimentícia, para quem a pesquisa "simplifica" as causas da obesidade.
Moral da história: pare de beber, de fumar, de comer, de transar e principalmente de pagar impostos. Pq são os seus impostos que bancam esses malas que te mandam parar de beber, de fumar, de comer e de transar. E depois ainda falam que não era bem assim.
O santo e o mosqueteiro-artilheiro durante o intervalo
E domingo é dia de futebol. Pode ser aquele joguinho reba, truncado, feio, com 12 pagantes no estádio, que vai ser legal. Mas convenhamos que quando é clássico é mais legal ainda. Ainda mais se formos considerar que pode ser nosso único jogo com o oponente em questão durante todo o ano de 2008. De que forma eu perderia a oportunidade de gritar ão ão ão, 2a divisão?
Enfim, lá vou eu equipada rumo ao estádio. Assim que rolo na descida da rampa e chego na JJ Saad, vejo eles. Merda, esqueci que eles vêm por aqui. Eu deveria ter ido pela Giovanni. Mas nem por um milhão de caralhos eu vou encarar a subida da rampa e dar a volta para pegar a Giovanni. É melhor apanhar do que cansar. Além do mais, com a quantidade de corintiano bochecha-rosa espalhado por aí, os curintxia não conseguem mais identificar quem é timão e quem é tricolor.
Vamos, que a Saad é nossa. Aquele quebra de praxe na Roberto Gomes Pedrosa me pára por uns minutos e em seguida sou liberada para o lado da torcida são-paulina. Aliás, a Roberto Gomes Pedrosa deve sua fama aos quebras que ocorrem nos clássicos. Trata-se de uma praça do tamanho do meu apartamento, que não tem um mísero banco e ostenta um “gramado” medonho. Só ficaram sabendo o nome dela porque os repórteres precisavam de uma referência para explicar onde ocorriam as brigas antes/depois dos jogos.
E então vem a fila. Sim, uma fila quilométrica me separou do portão 6 por uns vinte minutos. Onde mesmo que eu tava com a cabeça qdo comprei arquibancada azul? Fim de fila, aquele bolo de gente esmagada esperando pela revista. Dá licença, que eu sou mulher. Passo na frente com a ajuda e a anuência do policial – bem, e alguns xingamentos dos caras que ficaram para trás. Eu amo meu país machista.
A porra da arquibancada tava lotada, o povo espremido e a minha perna já tremia de tanto subir degrau em busca do topo. Fora q os malas não me deixavam passar. Acabei me ajeitando ao lado de uns corneteiros e de uma mina que fuma mais do que eu (ou que estava sem isqueiro, porque ela literalmente acendia um cigarro no outro). Fiquei pensando onde foi que ela arrumou o namorado dela, porque até eu me recusaria a beijar aquela boca.
Então fiquei 45 minutos vendo o Corinthians contra-atacar. Adriano vírgula O Imperador vírgula parecia mulher gostosa na balada. A cada passo que dava tinha um brucutu no pé. E eu, cada vez mais intolerante, olhava todos aqueles lugares vagos na laranja em contraste ao meu momento sardinha fumante na azul. Pensei q no intervalo ia melhorar, mas o juiz apitou o fim de jogo e nenhum miserável se mexeu. Ficamos todos sentados, um de olho na cadeira do outro, até apitarem o início do segundo tempo.
Mas foi no intervalo que tivemos nosso maior show. Aqueles mascotes horrorosos apareceram para nos entreter. Tinha o mascote do santo, do mosqueteiro e uns outros de aparência duvidosa e desconhecida. Então que o santo e o mosqueteiro se revezavam no gol e na cobrança de pênalti. O santo já tinha feito vários gols no mosqueteiro, e a torcida nem tchum. Coitado, em um dos gols, ele correu pra galera e foi solenemente ignorado. Porém, entretanto, todavia, contudo, o mosqueteiro faz um gol no santo. Vibração da torcida dos gambás. Glória do mosqueteiro, que corre para o canto do campo e chuta a bandeira de escanteio até quebrá-la. Juro, achei que ele fosse dar a volta olímpica. Não imaginei que os corintianos estivessem tão carentes.
Mas o Salvio Spinola imaginou. E a título de solidariedade anulou o gol do São Paulo. E fingiu que não viu um pênalti. De modos que voltamos para casa com um zero a zero com gosto de derrota.
E na volta a teimosia se apoderou desse corpo novamente. Pra quê dar a volta no mundo e ver o mundo girar se a Saad tá logo ali?
Vou andando devagar, ouvindo Santos X Bragantino e observando aquele povo com cara de antropóloga. Havia um grupo de uns 10 caras admirando uma moto que estava estacionada. Uma moto estilizada, bonitona mesmo. De repente, eles começam a chutar a moto, quebrando tudo o que conseguem. Que dó do dono que vai chegar depois do jogo e dar de cara com aquela sucata. Que dó dos caras que, frustrados por levarem uma vida medíocre e morarem em coletivos, se sentem vingados ao destruir o que o outro conseguiu conquistar.
Ainda olho atordoada para a cena quando encontro um amigo corintiano, e com ele sigo até a Francisco Morato. Os caras continuam brigando. Um são-paulino louco ou muito corajoso passa em frente ao ponto de ônibus devidamente aparado. E apanha, claro. Já no Pão de Açúcar, é corintiano quem corre das garrafadas são-paulinas. Eu a meia quadra de casa, cheia de sacolas, esperando as madames pararem de puxar cabelo para poder voltar. Que saco.
Chego em casa e começo a preparar minha maravilhosa pizza de mussarela enquanto a polícia dá porrada no povo que ainda está na rua. O Mesa Redonda começa. É o início do fim do meu domingo.
Meus amigos dizem que eu moro longe. Minha mãe sempre pergunta porque eu não alugo um apartamento perto do metrô. E eu não vou pra lugar nenhum, porque só aqui tem o Morumbi.
Bom, é hora de aceitar que eu não tive coragem de me jogar da janela abraçada ao carnê do IPVA. Logo, 2008 começou.
Também não fiz listinha de retrospectiva. Na verdade, ela está toda na minha cabeça, e estou esperando ansiosamente alguém lançar um scanner de mente, pra não precisar digitar, nem sequer falar.
Você pensa numa coisa e ela vai pro Word. Ou pro Corel. Ou pro Photoshop. Se isso acontecer, eu serei o novo gênio da raça. Sempre penso em imagens sensacionais, mas quando pego um papel só consigo expressar uma casinha com moita. Às vezes me empolgo e coloco uma cerquinha...
Enfim, 3a feira, dia mundial do tédio e, no meu caso, da alergia. Segundo fontes fidedignas, estou espirrando desde às 19h30. Considerando que eu estava com napa de padezeira até semana passada, resolvi vencer a preguiça e comprar uma caixa de lenço de papel, já q o papel higiênico estava acabando com o meu nariz (que, convenhamos, já não é fino e já não é arrebitado; com a ponta descascada vira um desgraça total).
Então, resolvo estrear o lenço hoje, em meio àquele surto de espirros que só quem é alérgico entende. Pois não é que os filhas da puta me inventaram um lenço de papel aromatizado? Você dando espirros duplos, tremendo, com a cara toda vermelha, crente que corre em direção à salvação, quando aspira um papel com cheiro artificial de camomila. E aí fode tudo de vez. Você é obrigada a ingerir 4 comprimidos de Celestamine e terminar a sua noite dopada escrevendo num blog.
Fora isso, a moleza reina. Engraçado, passei duas semanas na roça, com um solzão. Eu acordava às 7h da manhã e ia dormir à 1h da madrugada. Ficava à noite na piscina bebendo cerveja. E não tinha sono. Foi chegar em SP e começar a bocejar. Eu ando tão inútil que se o Adriano vírgula O Imperador vírgula bater na minha porta com o corpo bezuntado de óleo, eu vou levar uns 10 minutos pra atender.
Aliás, esses dias, em meio a uma insônia cruel, fiquei pensando que a fórmula mais próxima do homem perfeito é uma embalagem composta por Adriano vírgula O Imperador vírgula, tendo o Marco Aurélio Cunha de conteúdo. Com a minha sorte, o máximo que vem pro meu lado é uma embalagem de Marco Aurélio Cunha com Adriano vírgula O Imperador vírgula de conteúdo. E aí haja dinheiro pra comprar a pinga nossa de cada dia.
E os homens tb acreditam em contos de fadas. A Gisele Bundchen deles é o Alexandre Pato. Tem 18 anos, namora uma atriz da Globo e marca gol em seu primeiro jogo pelo Milan. Tenho alguns amigos absolutamente recalcados com o fato. Eles devem se olhar no espelho, mirar suas panças flácidas, pensar em suas namoradas de voz esganiçada e chorar em busca da chuteirinha de cristal. Em breve, darão um jeito de chamar o garoto de pipoqueiro. Assim como as mulheres deram um jeito de chamar a Bundchen de tapada.
Enfim, com a graça do senhor, o Campeonato Paulista começa amanhã. Estava de saco cheio de assistir novela, e já tinha passado o rodo em toda a programação do PPV. E chega. São 0h30 e meus gatos estão sentados olhando fixo pra minha cara. Na língua deles significa: “Mexe esse rabo, sua baleia, que a gente tá com fome”. E eu juro que volto com sanidade suficiente não para postar algo interessante, mas ao menos para escrever coisa com coisa.
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E então chega o baby. Eu sabia que ele chegaria hoje. Nem tanto por confiar na capacidade da Fnac em cumprir prazos, mas porque hoje estava chovendo e eu desembarquei do carro me equilibrando com um pacote de ração, três de areia e um arranha-gato preso ao pescoço. De modos que mais uma caixa pra carregar era tudo o que eu precisava.
Após algumas horas de ócio copiando música, carregando o distinto e configurando até a existência da humanidade, lá está ele tocando Gossip a plenos pulmões na sala. Yep! Temos um rádio decente.
Sim, também temos consciência que o produto deve ser utilizado apenas em domicílios ou em locais fechados que portem um negão na porta. Caso contrário, seremos chamadas de tia de novo.
13h52 O som das buzinas começou ao meio-dia. Eu aqui, esperando o namorado que Deus me deu. Ele falou que chega às 15h. Deverá comparecer por volta de 15h45. E juntos iremos à caça do cambista, porque os ingressos de arquibancada já se esgotaram, e eu não quero ver o jogo da geral.
Sim, já gastei meu bloqueador fator 60, então agora eu exijo sol na cara. São Paulo X Cruzeiro, jogo de seis pontos, provavelmente a definição do Brasileiro 2007. Nervosa. Aquela coisa de 15 cigarros por dia já foi pro saco.
De qualquer forma, acho que hoje vai ser um domingo daqueles. O dia está lindo, o céu todo azul. O estádio estará lotado, jogo de uma torcida só. Os mineiros, se aparecerem, ficarão espremidinhos naquela seção amarela onde não dá pra ver nada e o ingresso custa R$ 15. Melhor ver pela TV.
Nem o moço do amendoim pode fuder minha alegria hoje, porque eu já comprei meu próprio amendoim e o levarei na bolsa. As pilhas do meu radinho AM já estão no carregador. O dinheiro já está na bolsa, junto com a câmera fotográfica e o boné. Só falta o time comparecer.
Update
O time foi, o ingresso veio, o moço do amendoim apareceu e o namorado chegou às 14h45. Trouxe até uma rosa. Tudo lindo. O time da multinacional está 14 pontos à frente do da Tenda Construtora.
Ah, e o Corinthians perdeu pro Náutico. A poucos minutos do fim do jogo. Gol de pênalti. Parênteses para descrever 60 mil pessoas em êxtase no Morumbi quando o placar eletrônico anunciou o pênalti para o Náutico.
Começaram a gritar gol! gol! gol!, alheios ao jogo. Os próprios jogadores mandaram a bola pra lateral pra acompanhar a desgraça do co-irmão. Gol do Náutico, e a arquibancada tremeu. Em seguida, o hino da galinha sem estádio a plenos pulmões.
Eu achava que o domingo ia ser bom, mas não esperava tanto. Principalmente se formos considerar que a noite promete mesa redonda e pizza de mussarela.
u can’t always get what u want... ... ou nem tudo tem resposta
Na vida a gente conhece uma caralhada de pessoas. Amigo, amigo de amigo,caso, ex-caso, colega, conhecido e por aí vai.
A gente acha q se apaixona dia sim, outro também. A gente é é fácil. Porque por mais que todo mundo se esforce no carão, somos um bando de carentes. Tipo cachorro sem dono. Alguém chega e faz um cafuné, e a gente sai seguindo pela rua.
Só que ao contrário do cachorro, que uma hora se liga e volta pro seu canto, a gente segue um pouco mais. Porque a gente também tem ego. E fica se perguntando “como assim, eu tomei um pé?”.
Má notícia: vc ainda vai tomar mais um monte de pé Boa notícia: ao longo do tempo, eles doem cada vez menos
E você vê que, na verdade, mais que o seu ego e os seus cafunés temporários, o que vc precisa é daquele porto-seguro, daquele alguém que sempre te perdoa e que sempre está do seu lado querendo saber o que vc tem e se está tudo bem mesmo.
Você precisa daquele cara que não se derrete com as suas manhas, mas que fica feito uma criança do seu lado, morrendo de medo do tanto que ele gosta de você, frágil de pensar que vc pode destruir com a vida dele só mudando de idéia. E que vai voltar pra você mesmo assim, depois de tudo, porque ele te adora.
Tipo homem. Daqueles que a gente ouve em letra de música e vê nos filmes, mas sabe que não existe na vida real. E que quando te mandam um exemplar vc fica meio ressabiada, achando que estão tirando uma com a sua cara.
E que vem parar do seu lado justamente quando você mais precisa dele, te perdoando por todas as besteiras que vc fez e falou, porque de alguma forma ele sabe que vc é uma babaca imatura e ainda assim quer ficar do seu lado.
Então você pensa nas matérias da revista Nova e da TPM e diz pra si mesma: “mas homem não é assim...”. Será que vc ganhou na loteria?
É estranho, qdo estamos num mundo em que todo mundo precisa da gente, mas não está disponível pra gente quando precisamos. É esquisito, quando consideramos que somos mais usados do que usamos. “Onde será que eu acertei?”, vc pensa.
Você conhece um milhão de pessoas e nenhuma delas é assim. Todas dizem “conta comigo”, mas nenhuma está perto quando a casa cai. Mas aquela, justamente aquela, calha de estar perto, porque ela está sempre te ligando, sabe-se-lá-deus-por-quê, e acaba sabendo que a casa caiu. Então ela pára tudo o que está fazendo e corre pra você. E dizem por aí que isso significa ser amada.
E aí, como dizem os poemas mais chinfrins e algumas letras da Rosana, você se sente mais importante do que é. E acredita que, porra, vc não é esse lixo todo, vc é especial, pelo menos para uma pessoa que não é a sua mãe. E se ele sabe o que fazer com vc quando vc tira a roupa, é mais que um sonho.
E, me desculpem as encalhadas, é bom. É bom pra caralho. E se por um lado isso te impede de fazer reportagens pra Nova e pra TPM, por outro te permite dizer sem medo que vc é feliz.
Após dar à luz 18º filho, ex-gari de 40 anos decide fazer laqueadura
RENATA BAPTISTA DA AGÊNCIA FOLHA
A ex-gari Cláudia Maria da Silva, 40, deu à luz Adriely, que, segundo ela, é seu 18º filho. Ela nasceu no último sábado, em Jundiaí (60 km de São Paulo), com 2,8 quilos e 47 cm. Silva conta já ter passado por 27 gestações -com nove abortos espontâneos. Ou seja, passou ao menos 15 anos grávida. Agora, foi submetida a uma laqueadura.
A alagoana teve o primeiro filho aos 11 anos, em Palmeiras dos Índios (139 km de Maceió). Na casa de dois cômodos onde mora, em Vila Real, em Várzea Paulista (63 km de São Paulo), vive com três filhos -com 12, 6 e 3 anos- e agora a bebê. "Dormimos eu e mais duas crianças na mesma cama. Não temos geladeira e a TV é emprestada", diz Silva.
Doze de seus filhos ficaram em Alagoas com familiares quando ela deixou o Estado, em 2001. Ela não mantém contato com eles. Duas meninas foram adotadas.
O pai da caçula é um vizinho de 15 anos, amigo do filho de 12 anos de Silva. "A família dele está ajudando, mas não estamos mais juntos", afirma. Os outros três pais de seus filhos não contribuem com as despesas. Silva pediu ajuda à Vara de Infância e Juventude da comarca de Várzea Paulista para não ter problemas com a laqueadura -que é feita gratuitamente pelo SUS (Sistema Único de Saúde).
"Eu já conhecia a juíza, porque o pai de outras três crianças minhas está preso e elas foram para o abrigo. Eu estava com medo de perder meus filhos, aí quis parar de engravidar." Segundo ela, a última gravidez não foi intencional. "Antes eu não sabia das coisas. Agora eu sei, mas, mesmo assim, aconteceu."
Ela diz que quer um emprego. "Tem dia que eles voltam da escola e não tenho nada para dar. Queria falar com o Gugu [apresentador do SBT] para ver se ele me arrumava um emprego", diz Silva.
Naquelas coisas de família, tenho um primo doente (sim, a paixão pelo time de coração, em muitas oportunidades, tem sintomas doentio) pelo São Paulo.
Assim como meu avô, meu pai, minha mãe, meu tio, minha irmã...
E com ele costumo ver meu time em clássicos.
Nunca perdíamos, éramos invictos, imbatíveis juntos, era o que acreditávamos.
Vimos mais de dez clássicos juntos e em todos os sorriso aberto jamais deixou de aparecer ao final da partida.
E ontem fui ao Morumbi.
Na verdade, minha ida ao estádio começo no início da semana.
Nesse, de domingo, não queria ir.
Mas ele me liga na terça-feira avisando apenas que irá comprar nossos ingressos.
Pronto, já sabia que time venceria.
Era daquelas certezas que se tem, por exemplo, quando se encontra um grande amor.
Iria voltar para casa com sorriso no rosto novamente.
Eu tenho uma namorada.
E tenho uma namorada – na verdade meu grande amor –, corintiana, naquelas coisas que o Senhor Destino resolve aprontar na vida da gente, acredito eu, apenas para se divertir.
Imagino o Sr. Destino, um homem sisudo, barbudo, olhando esse "detalhe" da minha vida e, marotamente, sorrindo com a canto da boca...
Apesar de saber da minha doença, o futebol, especificamente o São Paulo, ela, a namorada, insiste na frase "eu odeio futebol".
Ora para me provocar, ora para criar intriga, ora por dizer a verdade.
Mesmo assim, convidei-a para assistir o jogo no estádio comigo.
Ela, sem pestanejar, topou.
Ah, Sr. Destino....
Iria, ao estádio, com meu amuleto chamado primo, ver meu time líder, pegar o rival combalido, com a namorada "eu odeio futebol" a tiracolo, e a convenceria, não só a gostar do futebol, como a mudar de lado, de torcida.
Torcer para quem vence é mais fácil, pensei.
Esquecendo a violência dos estádios paulistas, fui com ele, ela e mais tio, irmã, amigos...
Para todos seria um programa de fim-de-semana.
Para mim não!
Aquele seria o dia derradeiro, que eu inverteria aquilo que fazia o Sr. Sisudo-barbudo rir da minha vida.
Ficamos, é claro, no lado tricolor do Morumbi.
O meu primo, com uma cara preocupado, me avisa que um dos nossos atacantes não vai jogar e um zagueiro entrou no meio.
Mas nós, juntos estávamos lá, nada abalava minha certeza.
Sem entender aquela conversa, minha namorada também não se preocupou. Apenas observava com indiferença.
E ficamos bem perto da torcida adversária.
Faziam barulho.
Muito.
Até mais que a nossa superioridade numérica. Os rivais não ajudavam.
Mas e eu só esperava o momento da explosão. Do gol. Do nosso gol.
Daquele que a tocaria, vendo minha alegria, para nos unirmos ainda mais, até nas paixões.
E o jogo corria, mas nada do meu momento chegar.
E nesse tempo, eu ia imaginando a maneira de comemorar.
Dar-lhe um beijo longo, enquanto a massa explodia em êxtase?
Chorar de emoção?
Fazia planos. Imaginava a vitória. Esplendorosa. Ela, a namorada, jamais imaginava, meus maquiavélicos pensamentos. Estava lá não sei por qual motivo...
E o jogo caminhava para um morno fim. Bom, pelo menos levei-a ao estádio, fiz aquilo que pensei que nunca aconteceria, comecei a pensar.
Mas, a poucos segundos de mudar uma história, enfim o gol.
Em vez de tornar realidade aquilo que planejei, apenas observo, atônito, a massa adversária vibrar. Não! Esse era o meu momento. Não podiam me roubar aquilo...
Atrás de mim, olho e vejo um sorriso.
Eu conhecia aquele sorriso.
Eu já tinha o visto na minha cara, na cara do meu primo, muitas outras vezes.
Mas dessa vez ele estampava o rosto (e que belo rosto) da minha namorada.
No primeiro instante, perguntei: "Por que fazes assim, Destino?"
Não entendia o sarcasmo.
De me fazer sofrer daquele jeito. Em estragar um enredo meticulosamente estudado.
O jogo acabou.
Frustado, olhei a decepção do meu primo, o ex-amuleto.
Perdemos...
Foi a primeira observação, sem compreender de fato o que estava ocorrendo.
Mas não, percebo que ganhei.
Porque, na demora em sair do estádio, olho a namorada, ex-"eu odeio futebol", encantada. Maravilhada.
Ela apenas observava a torcida, sempre adversária para mim.
Naquele momento, ao pé do meu ouvido, ela me pediu para um dia leva-la daquele lado. Falei que não. Mas da boca para fora.
Porque, ali, naquele instante, senti que dividíamos mais uma paixão.
Não seria pelo time, é claro, porque essa é uma coisa imutável, assim como o sentimento entre casais que se amam.
Mas pelo futebol, esse esporte que anseia multidões. A partir daquele momento, sei que ela passou a me entender.
Como um livro que tem vida própria e segue seu caminho à revelia do escritor, a minha vida tomou um rumo não planejado ontem.
Mas com um final surpreendente. E muito bonito.
Quem disse que ontem não saí vencedor?
É... meu primo me dá sorte sim! Sim, continuamos invencíveis juntos...
Agora eu tenho um primo, uma namorada, e os três uma grande paixão.
Aaahh, Sr. Destino, que sisudo nada tem,muito obrigado!!!
O ex-presidente do Corinthians, Alberto Dualib, que renunciou ao cargo na última sexta-feira por conta das acusações que sofre de lavagem de dinheiro, insinuou que o título brasileiro, conquistado pelo time alvinegro em 2005, foi "roubado" e que deveria ter ficado com o Internacional.
As declarações de Dualib foram gravadas em uma escuta telefônica da Polícia Federal, divulgada pela "TV Record".
Em uma conversa com Renato Duprat, intermediário entre o clube e a MSI, empresa que gerenciava o futebol profissional do Corinthians (a parceria foi desfeita na prática e está em vias de ser rompida na Justiça), Dualib diz que o ponto conquistado contra o Inter, no Pacaembu, foi decisivo para a definição do campeão.
"Nos últimos cinco jogos, nós tínhamos 14 pontos na frente e chegamos, entendeu, um ponto só. Roubado", fala Dualib.
Na ocasião, o Inter teve um pênalti legítimo não marcado pelo juiz Márcio Rezende de Freitas. No lance, Tinga driblou Fábio Costa e foi derrubado, mas o árbitro alegou que o volante simulou falta e o expulsou de campo, pois já tinha cartão amarelo.
Dualib ainda lembra que o escândalo da manipulação de resultados também ajudou o clube a levantar o troféu do campeonato pela quarta vez em sua história.
"Se não tivesse a anulação de 11 jogos, nós estávamos fora. Porque campeão de fato e de direito seria o Internacional", explicou o ex-dirigente.
Entre as 11 partidas consideradas "contaminadas" pelo STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva), e que tiveram de ser remarcadas, estavam duas do Corinthians e uma do Inter.
Dessa forma, o Corinthians recuperou quatro dos seis pontos que havia perdido contra São Paulo e Santos, enquanto o Inter repetiu uma vitória que havia obtido diante do Coritiba no Beira-Rio. No fim, o time do Parque São Jorge terminou o campeonato três pontos à frente dos gaúchos.
A democracia é mesmo um acontecimento. Você entra naquela porra de Orkut, fica exposto à curiosidade alheia e mostra ao mundo a besta que você é por meio das comunidades das quais faz parte.
Em alguns dias de sensatez, vc vai lá e se descadastra de algumas que vão queimar seu filme mais do que o normal (o que não é o caso de Pig; ela ainda faz parte da comunidade "Eu acredito no amor").
Enfim, em uma bela tarde vc entra na sua página e descobre que está abraçando o capeta. Lá está vc como membro da comunidade "Seguidores do Mestre Masinga".
Vc pára, pensa, pensa mais um pouco. Não, vc tem certeza de que não conhece nenhum Mestre Masinga. Vc nem sequer freqüenta lugares onde seria possível ter o prazer inenarrável de conhecer alguém que atende pela alcunha de Mestre Masinga.
Então vc descobre que se tratava de uma antiga comunidade da qual vc participava chamada "Go go boots", cujo dono, provavelmente um perebento, punheteiro e consumidor de maconha de baixa qualidade, se viu no direito de alterar o nome sem dar satisfação aos (ops!) membros.
E sabe-se lá Deus quanto tempo faz que eu tô pagando mico como seguidora do Mestre Masinga.
E sabe-se lá Jesus Cristo que porra que eu ainda tô fazendo nesse Orkut.
Que covardia. Os caras do Náutico sem receber há dois meses. Tinham ameaçado fazer greve na semana passada, quando a diretoria resolveu pagar um mês de salários atrasados. Aí vêm pra São Paulo e tomam cinco, coitados. E eu, que não tenho nada a ver com isso, aproveito meu fim de tarde no estádio em busca do moço do amendoin (que não apareceu).
Você sabe qual é a história. Você conhece o cara, rola algo, e vai rolando e vocês vão ficando juntos e tals. Quando vai ver, você é a cadela dele, e ele é o seu escravinho. Enfim, segue-se o namoro por várias centenas de dias, e um dia acaba. Bom, também acaba várias centenas de vezes, mas o fato é que acaba.
E lá vai você sozinha, no estilo fêmea independente, pensando que vai se divertir geral, beber geral e desbundar geral. Passa-se um tempo e você percebe que o único plano que efetivamente concretizou foi ir ao estádio ver o seu time jogar (sem o pé frio a tiracolo). Aquela listinha de metas que você fez na última vez que acabou ficou assim:
Número de jogos em casa: 3 Número de novas baladas: 0 Número de novos programas: 0 Número de novos amigos: 0 Número de bofes que ligaram: 0 Número bofes que deixaram de ligar: 1
Aquela zica que Deus manda, e você se joga no Vegas numa quinta-feira à noite. E vamos nós! E lá pro meio da noite, você dá de cara com o dito-cujo. Mas ele não te vê, então você fica olhando pra cara dele e viajando. Você fica praticamente tomando conta dele na balada, enquanto fica pensando.
Lá está ele parado com aquela cara de sonso. Mulher adora cara com cara de sonso. A gente pensa que eles estão, na verdade, com o olhar perdido e resolve cuidar. Depois você descobre que a cara era de sonso e fica puta. Principalmente quando você vê a cena se repetir com outra tonta. Que aliás vai tomar aquela bela dispensada.
Sim, o ex é um puta de um arrogante, o que você também adora, porque você não tem vergonha nessa sua cara feia. Mas vá lá. Você começa a reparar no corpo dele, nos braços dele. Ele tem os braços bonitos, com todos os músculos definidos, mas nada naquele estilo esteróide. Só uma musculatura definida. Aliás, o corpo todo é assim. Aquela barriga com o abdômen definido e aquela tatuagem é a coisa mais linda do mundo...
Aaaaaaaaaaaaiii! Você tá parecendo aquela mulher do “Carne trêmula” quando o cara conta pra ela que planejava ser o maior fodedor do mundo e rachá-la ao meio. E ela lá, coitada, vivendo de língua há seis anos.
Você tenta abstrair, dançar, se distrair com algo que não seja aquele gostoso maldito. Têm outros caras por lá, oras. Mas aí o bofe te vê. E chega. E chega.
Sexta-feira e você na Funhouse. Lá fora, um frio de 7 graus, conforme havia avisado a previsão do tempo - mas você não tinha acreditado, afinal é mais fácil acreditar em político do que na previsão do tempo. Lá dentro, temperatura amena, pista lotada e cerveja gelada. Você e grandona fazendo os passos do homem branco.
E então Deus te manda o Tiago. O Tiago é um ser que sai de casa de pulover ocre, com aquela cara de "hoje eu pego", e que, quando contrariado, decide que vai foder com a sua balada. O problema é que, por razões óbvias, o Tiago sempre é contrariado, de modos que ele acaba saindo com a intenção de foder com a balada de todo mundo. Uma chatice.
Então as djéias te presenteiam com três do Interpol na seqüência. Grandona já se mandou com algum bofe. O seu amigo que também estava por perto também sumiu. Mas Tiago, o guerreiro, está super lá. E lá vem ele. Quer saber o seu nome, basicamente uma convenção antes de ele dizer o quanto você é linda e começar com aquele xaveco que vc não está a fim de escutar.
No momento vc quer escutar apenas o Paul Banks, mas o Tiago acha que ele tem coisas importantes a dizer também. O que me lembra o meu tio Miguel. Ele distribuía santinhos com fotos dele mesmo vestido de marinheiro ou piloto ou algo que o valha, e se autodenominava "o profeta número um do Brasil e do mundo". Ele também pregava em praça pública que o apocalipse estava chegando. Só os desempregados paravam pra escutar. E mesmo eles iam embora depois de alguns minutos.
O Tiago se daria bem com o meu tio Miguel. Mas para o azar dele e dos desempregados, meu tio Miguel está debatendo o apocalipse com São Pedro, e sobrou apenas eu. A alma infeliz que sempre pensa em formas criativas de dispensar um bofe e não consegue se decidir por nenhuma, exceto a sutil: "Sai fora. Eu sou sapata."
Paliativamente funciona. O mala se vai. Mas ele volta. Indignado, quer saber como é que eu nem quero saber o seu nome. Pois não, infeliz, sua alcunha, por favor. E então conhecemos Tiago. Grata pela informação. Paul ainda me aguarda. Sim, babe, I'm so here. Mas o puto do Tiago volta e pergunta meu nome de novo - o que me faz concluir que além de ser chato e ostentar um pulover ocre, o desgraçado também estava bêbado.
DEIXA EU DANÇAR, PORRA!!! Ele continuava não se tocando, mas um amigo mais sensato o tirou dali. Wait for me, Paul! Mas Paul se vai. Sem problemas, depois dele vêm outros tão bons quanto. O som sexta estava realmente sensacional. Mas Tiago, o Jason tupiniquim, reaparece das trevas para mais uma investida: "Eu não te conheço de algum lugar?". Sim, vc me conhece do consultório do proctologista.
Toda vez que eu vou naquela porra daquele Pão de Açúcar e passo pela seção de flores fico de bode. Eu nunca ganho flores. Quer dizer, exceto nas vezes em que eu obrigo as pessoas a me darem flores, eu nunca ganho flores.
Espontaneamente, só a minha mãe me dá flores. E ela manda Pig comprar e escrever o cartão. Que sempre começa com “Bonequinha da mamãe” e termina com “Beijos, mamãe”. Tudo isso escrito com a letra de Pig. Sim, é um complexo edipiano lésbico difícil de descrever...
Anyway, hoje tive a tal crise de novo. E fiquei filosofando sobre o tipo de mulher que sempre ganha flores. O que será que elas têm que eu não tenho? Será que é algo que elas fazem, e eu não sei fazer? Algo na roupa, no cabelo, no perfume? OK, eu sou meio bagaceirinha, mas tem coisa bem pior por aí toda florida, então dispensei essa suspeita.
De modos que, para despistar crises de auto-estima e ficar pensando na incrível capacidade física e emocional das vadias que ganham flores, resolvi listar alguns tópicos no comportamento de algumas pessoas que talvez expliquem porque elas não ganham flores.
10 atitudes reprováveis das mulheres que NÃO ganham flores:
Viram pro lado e dormem, pouco se fudendo se o cara está morrendo de tesão
Fazem o cara assistir “Gang do Sexo”, ou qualquer coisa que tenha a Aretuza Lemos falando, e não entendem porque ele não está morrendo de rir
Testam na boca do mancebo o batom novo que elas compraram, e depois dizem que ele está parecendo uma “puta sem-vergonha”
Perguntam pro cara com quem elas estão saindo se ele já transou com outro homem. Quando ele diz não (o que, inevitavelmente, ele dirá), perguntam se ele não tem vontade
Levam o bofe ao estádio para ver o time delas jogando, e depois falam que ele deu azar pro time e por isso o jogo acabou empatado
Chamam o bofe de “babe”, o que ele acha bonitinho, até descobrir que elas também se referem às amigas e até aos porteiros do prédio assim
Quando estão teclando no msn e o rapaz lhes pede uma foto, elas sempre mandam alguma imagem do tipo dois caras transando ou uma gorda de quatro
Não deixam o cara pagar a conta delas
Dizem pro cara “Eu não vou dar pra você. E não é que eu esteja me fazendo de difícil, é que eu não tenho vontade mesmo”
Ou então dizem pro cara, depois da 17ª: “Já cansou?”
Novo do Interpol, Our love to admire, já está disponível nos melhores P2Ps. Paul Banks, o bofe-espetáculo, continua sofrendo. Mas já não sofre do mesmo jeito.
Também, no terceiro disco, já com a conta bancária bem gorda, fica difícil arrumar motivo pra sofrer.
Bom, às vezes é só primeira impressão. Estou ouvindo este pela primeira vez. "Turn on the bright lights" rolou umas 300. E, no mais, "heinrich maneuver" vai garantir uma certa alegria na pista de dança.
"A fonte primária de recursos da Descolândia" A vida é assim. Outra coisa de que a Descolândia gosta é dinheiro público. Muito dinheiro público. O sujeito é cineasta e quer fazer um filme? As estatais ajudam. A sujeita é pesquisadora é quer fazer uma "pesquisa"? Algum órgão de fomento ajuda. A Descolândia adora usar o nosso dinheiro para nos oferecer produtos que, em tese, são bons para nós — ainda que não gostemos. Pra eles, tudo bem. Não dependem de público, resultado, mercado. Só precisam do financiamento e de um crítico, de preferência um roteirista incompetente de pornochanchada, para dizer que o trabalho é bom. O dinheiro sai do cofre público; o elogio vem dos amigos. Só resta a celebração.
Eu tenho a impressão de que "Tio Rei" não será mais bem-vindo aos Espaços-Unibancos da vida.
Por outro lado, ele traduziu tudo o que veio à minha cabeça após assistir aquele lixo chamado "É proibido proibir" (no Espaço Unibanco, lógico).
Marivânia e Clodoaldo insistiram por quatro anos num relacionamento fadado ao nada. Bem, Marivânia insistia um pouco mais, já que era Clodoaldo quem sempre a chutava. Mas também como era sempre Clodoaldo quem pedia pra voltar, Marivânia estava naquela tranqüila sensação do "Ele não vive sem mim. Só não descobriu isso ainda".
Eles se conheceram numa festa da comunidade. Marivânia recém-abandonada pelo namorado; Clodoaldo fugindo de seu quinto teste de DNA - ora, aquela mulher era mesmo uma safada, tinha um filho de cada homem; ele só fez o que qualquer cara faria, etc. e tals. Foi amor à primeira vista. Sem dinheiro nem veículo para o motel, treparam na saída da cozinha mesmo. Ela, com aquelas ancas saradas; ele, com um bigodinho de rapper e cabelo de assistente administrativo.
Mas aquele amor ainda teria que passar por várias provações. Clodoaldo estava confuso, imagine você. Aquele teste de DNA estava deixando-o louco. Foi comer uma vagabunda que todo mundo comeu, e agora queriam que ele pagasse a conta, digo a pensão. Não era justo, ele já tinha seus próprios filhos pra sustentar e suas ex-namoradas fanáticas por dinheiro, que ligavam em seu celular Samsung gritando "U minínu tá sem fralda!".
Não, não seria possível se envolver com outra mulher. Ela poderia ser apenas mais uma golpista atrás de uma fatia de seu salário de 500 reais. Então ele disse: "A gente pode ir se vendo". Bem, a primeira reação sincera de uma mulher ao ouvir esse tipo de frase seria mandá-lo tomar no rabo. Mas, como se sabe, mulher não é sincera. E desafios são tão estimulantes quanto homens realmente gostosos.
Enfim, como imaginado, algumas transas depois, e o Clodoaldo já queria saber porque o telefone da casa da Marivânia sempre estava ocupado quando ele tentava ligar - e porque raios ela nunca atendia aquele bendito celular! Sim, duas semanas depois, ele namoravam.
Era um relacionamento bonito. Os dois saíam bastante, curtiam bastante, transavam bastante. E então virou amor. Ou seja, o Clodoaldo começou a largar a Marivânia em casa, e a Marivânia começou a transar com outros caras para dissipar a sua raiva de ter sido abandonada nos fins de semana. E daí já estava certo que um não vivia sem o outro. Porque não há nada mais forte nessa vida do que uma muleta.
Nos primeiros dois anos, o argumento era "Mas eu gosto dele". Passado um tempo - o necessário para o cinismo aflorar -, o desabafo já era "Ok, e eu vou transar com quem?". Sim, senhores, melhor que um vibrador, só um vibrador que esquenta seus pés nas noites de inverno. Mas é só isso? Sim, é só isso.
O Clodoaldo, coitado, menos afoito à falsidade, vivia entrando em crise existencial. Ora se achava um homem-objeto, ora se achava um macho disposto a botar ordem na casa - e parar de ser homem-objeto, porra! E era nessas horas que ele chutava a Marivânia. Pensa o quê? Clodoaldo tinha sentimentos.
Marivânia, por sua vez, já não sentia tanto o peso do pé na bunda. Honestamente, ela apenas comentava com as amigas que os caras com quem saía quando não estava com Clodoaldo eram fracos. E todas concordavam, com semblante fúnebre, que estava cada vez mais difícil arrumar um cara que soubesse o que fazer com uma mulher hoje em dia.
Então, quando o Clodoaldo aparecia com aquela cara de pateta dizendo pra Marivânia que não vivia sem ela, ela voltava na hora e todos ficavam felizes. O Clodoaldo, pela sorte de ter jogado sua mulher fora e ter conseguido recuperá-la - mas como não conseguiria? Ele era um cara foda, oras! A Marivânia, pela volta do sexo bom, fácil e gratuito.
E assim foi passando o tempo. Clodoaldo e Marivânia, Marivânia e Clodoaldo. E como nada acontecia, eles foram deixando estar, para ver como é que ficava. E como nada continuava acontecendo, eles resolveram marcar a data do casamento.
Fizeram um convite questionável, cujo envelope trazia em relevo a letra de "Como é grande o meu amor por você", do Roberto Carlos. Dentro, um pequeno papelzinho, anexado ao convite, dizia: "Nosso presente é a sua presença. No entanto, se quiser colaborar..." e colocaram o número da conta e da agência bancária. Nunca se sabe.
Dois dias antes da cerimônia, no entanto, Marivânia teve uma crise de choro. Estava na sala de espera do dentista, para fazer aquela sessão de clareamento, quando viu duas senhoras de mais ou menos 70 anos preenchendo uma ficha de cadastro com a secretária. Ao serem questionadas pela moça sobre seu estado civil, as duas responderam quase em uníssono: "Divorciada".
Ora, ora, e ela achava que divórcio era coisa pro pessoal da sua geração. Pois é, não era. Foi, sim, uma forma de libertação que muita mulher agarrou assim que viu. E tudo isso pra Marivânia, décadas depois, resolver virar escrava assim por livre e espontânea vontade. Não, era errado. Era errado ficar com alguém com quem não se quisesse estar. Fosse por status, por dinheiro ou por sexo.
E mais que errado, era roubada. O que ela ia fazer quando o rendimento do Clodoaldo começasse a cair? Como encaixar no orçamento os gastos com Viagra? E será que homem à base de Viagra não era tão falso quanto mulher de silicone? E como saber?
Marivânia cancelou o clareamento e saiu aos prantos do consultório do dentista. Chegou em casa e começou a preparar sua mala. Foi pra rodoviária e comprou uma passagem para Poço Verde, onde morava a tia Josefa. Antes de embarcar, ligou pro celular do Clodoaldo para dar a má-nova. Caiu na caixa postal. Clodoaldo dormia.
Por que é que as crianças que vendem bala no semáforo chamam a gente de tia? Elas acham que isso vai despertar o nosso instinto maternal e fazer-nos comprar aquelas bugigangas por pena?
Elas não pensam que isso pode deixar a gente puta, achando que elas estão nos tirando de idosas? E que isso, no máximo, vai nos animar a gastar em cremes anti-rugas, e não em balas?
E se, segundo estimativas do Detran, há aproximadamente cinco milhões de carros circulando em São Paulo, por que elas param sempre no meu?
********************
Gozando com o pau dos outros
E ao som do quarto movimento da nona sinfonia, a argentinada pulava animada na casa dos genéricos.
Era pra ser um dia 13 comum. Dia de sol, Marta falando besteira e o Santo Antônio afundado de ponta-cabeça num copo de cachaça. Mas não. Pig tinha que telefonar às 10h30 da manhã e eu tinha que atender.
Pig: Meu, c num sabe A pata: Pois não Pig: Hoje tem show do Wando no Brahma A pata: Como essas informações chegam ao seu conhecimento, por favor? Pig: Então, quando me contaram, eu só pensei em duas coisas: em reservar mesa e em quem seria a responsável por passar na 25 de março pra comprar calcinhas pra gente jogar no palco
Enfm, se Pig chama pra sair, nóis vai. E, convenhamos, tudo de bom ir ao show do Wando. Eu não tinha nada de mais importante pra fazer numa quarta-feira à noite mesmo. Secar o Grêmio estava fora de cogitação. Mesmo porque estou começando a desconfiar que quem dá sorte pra eles sou eu na frente da TV.
Muito que bem, saio da gloriosa aula rumo ao Brahma. Chego e já encontro o 'rei' cantando "Estou apaixonado". Eu também, grande mestre, eu também. Encontro Pig e amigas na mesa. Animadíssimas, cantando todas as músicas. Magoei. Eu só conheço o refrão de Fogo & Paixão. Mas não faz mal, porque Wando é um showman. Ele canta músicas para a galera participar. Poemas como "Iê iê iê, eu quero comer você" e "Iê iê iê, eu quero dar pra você". Singelismo à toda prova.
Inevitável reparar que no palco constava uma bateria, mas não o baterista. Sim, senhores. Wando usava playback, com direito a backing vocals e solos de teclado. Em sua companhia, apenas um tímido guitarrista.
Mas relaxa que Wando também é psicólogo. Ele discursou sobre mulheres sozinhas, à procura de um cara gostoso. Momento de intervenção para explicar que o Brahma exibia uma fauna de mulheres sozinhas de todas as idades e gostos duvidosos em termos fashion - a tia com blusa de zebrinha combinando com uma bolsa de oncinha p&b era uma delas, com certeza -, mas absolutamente NENHUM homem gostoso. Tinha era una caras da meia idade pra cima, todos, sem exceção, ostentando aquela pança de cerveja em maiores e menores proporções. Nenhum com barriga definida e tatuada - conhecida preferência desta que vos escreve.
Anyway, sigamos com o velório. Pig e Melissa foram pra frente do palco morder a maçã do Wando. Ah, sim. Acho que esqueci de mencionar que a certa altura do show Wando pega uma dentre as várias maçãs que enfeitam a mesa ao lado do palco e a compara a uma muher. Com aquele sotaque carioquês, ele diz: "Eassa fruta não devia se chamar maçã; devia se chamar mulher". E morde a maçã. Pausa pro delírio da platéia. Pausa também para as fotos. Pig sentada na beira do palco, com a maçã na mão, sendo abraçada por Wando.
Foi um momento muito bonito da minha vida. Enquanto Pig cantava e mordia a maçã eu me dividia em pensamentos como: "Amanhã cancelo aquele plano de previdência privada" "Onde passarei minhas férias de 2010? Espanha ou França?" "Não sei se troco meu carro por um EcoSport ou se já chuto o balde e adquiro logo um Jaguar" Pois é. Pra quem não sabe, Pig é milionária. Renda de R$ 20 mil mensais, fora os bônus. E eu tenho imagens dela ao lado do Wando mordendo uma maçã.
Enfim, o ápice da noite. O momento pelo qual todos esperavam e gritavam desde o começo do show. "Luz! Luz! Luz! Luz!" Wando começa a tocar "Fogo & Paixão". A galera alucina e invade o palco. Inclusive Pig. Os seguranças, desesperados, tentam tirar o pessoal dali, mas o frenesi é completo.
Após apenas uma hora de show, o mestre nos deixa. Sobraram apenas as calcinhas (a minha é pink, tem desenhos tribais e serve em meninas com idade de até 8 anos) e as rosas. Ainda o encontrei quando estava na porta do banheiro. Com camisa verde pistache, ele me deu uma piscadela, não se sabe com qual dos olhos - sim, seus mal-informados, tem um olho lá que não funciona.
A mim, restou apenas terminar meu guaraná e dirigir-me ao caixa. Mas ainda havia mais uma surpresa me aguardando para aquela noite.
"O quê??? Quarenta e cinco paus de couvert artístico???"
Que porra de calcinha cara.
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E diz que esta quarta feira foi perfeita mesmo (e diz também que eu estava certa: quem dá sorte pro Grêmio sou eu na frente da TV)
si señores yo soy de boca si si señores de corazon porque este año desde la boca desde la boca sale un nuevo campeón
A escrotidão é inerente ao ser mesmo. Quando eu estava na faculdade, tinha uma menina que estudava na sala ao lado da minha que era um cão chupando manga. Gorda, grande, desengonçada e usuária da tintura amarela mais vagabunda já produzida. No entanto, era rica, a querida. E como presente de papai pelos seus 25 anos (ou algo que o valha), a fofa ganhou uma recauchutagem. Teve lipoaspiração, tratamento com roacutam, silicone no seio e tudo mais.
Como tudo que o dinheiro pode comprar, o "procedimento" fez milagre. Ela se tornou uma mulher muito, mas muito bonita mesmo. Qual não é a minha surpresa, algumas semanas após aparecer radiante na faculdade, eu a vejo fofocando com uma colega sobre uma garota que passava: "Onde essa gorda arrumou coragem pra usar essa calça?"
Pois é. Esqueceu rapidão que a gorda do semestre passado era ela. Da mesma forma como ela foi discriminada pela sua aparência poucos meses atrás, ela na ocasião discriminava outra pessoa - que assim como ela não devia curtir nada ser riducularizada.
E então vem a parada gay. O slogan deste ano caracterizava a luta "contra o racismo, o machismo e a homofobia". Esqueceram do preconceito. Talvez por isso algumas bibas tenham se sentido tão à vontade para reclamar da presença do povo de "periferia" no evento. "Gente feia", como disseram. Gente pobre, como se sabe.
Dez anos atrás, quando aconteceu a primeira parada, tinha que ser macho pra falar que era gay. Hoje é chique. Só pelo tanto de menina que eu vejo na noite se fingindo de lésbica para atrair homem, posso dizer que hoje é realmente chique ser gay. É quase a mesma coisa que ser moderno.
E por que foi mesmo que o preconceito diminuiu? Ou melhor, por que hoje pega mal ser homofóbico? Porque gays consomem. A homofobia, assim como o machismo, teve de se render ao ato de que gays e mulheres são um bom público-consumidor. E é para eles a maioria das campanhas publicitárias. E, como diz o outro, estar na mídia é estar no mundo.
Porque se todos os homens pagassem 800 reais em uma calça jeans, mulheres e gays continuariam sendo tão insignificantes quanto os manos que eles desprezam hoje.
"Nunca vi tanta gente feia", dizem habitués (Folha de S.Paulo, 11/06, Cotidiano)
Freqüentadores reclamam do ecletismo do evento
PAULO SAMPAIO
"Nunca vi tanta gente feia!", diz o estudante bombado, descamisado e depilado Victor Prado, 19, saindo da Parada Gay. A frase foi ouvida muitas vezes pela reportagem, em diferentes grupos do evento. A maioria dos queixosos é representante da ala masculina.
De acordo com os correligionários de Prado, desde a primeira edição, 11 anos atrás, a Parada do Orgulho GLTB se popularizou demais e "hoje é freqüentada por pessoas que nem são gays".
O maior movimento brasileiro de defesa da diversidade sexual e das minorias, quem diria, ficou muito eclético. "Isso aqui está irreconhecível, olha só quanto mano", aponta para um grupo de jovens de bermudão e skates o administrador Ricardo Sá, 29.
Apesar de manter o fundamento militante, o movimento agora recebe a adesão de pessoas que, para Sá e os cinco amigos que o acompanham, o descaracterizaram. "Acontece que isso aqui é um evento aberto, não precisa pagar nada. Então, não dá para controlar a freqüência", diz o professor Emanuel Via.
O preconceito parece contagioso. Esquecido da essência suprapartidária da parada, o fotógrafo carioca Mauro Scur, 32, diz: "Como vocês dizem aqui em SP, só tem periferia. Lá no Rio, a gente diria suburbano".
Isso diz respeito aos gays também. De acordo com o maquiador Marcos Costa, 32, "as "bonitas" são preconceituosas, não vêm mais. Então, a parada tomou outro rumo". Mas, se os próprios homossexuais gostam de dizer que são mais cuidadosos com a aparência, o número de feios causa estranhamento. Como explicar?
O stylist Ronaldo Gomes, 30, responde sem rodeios. "O problema é o baixo poder aquisitivo da maioria. Nem sempre aqui as pessoas são exatamente feias; às vezes são apenas mal tratadas. Presta atenção nos cabelos, nas peles..."
Para o gerente comercial na área de moda Edson (ele não diz o sobrenome), 28, óculos de sol grande estilo máscara, camiseta regata preta e calça comprida cáqui, "o problema é que tem muita gente, e o número de feios é sempre maior. Aumenta na mesma proporção".
Numa tentativa de explicar matematicamente o fenômeno do "enfeamento da parada", o namorado de Edson, o cubano Carlos, arrisca um número: "No máximo, 10% são bonitos".
"Quem são eles para dizer alguma coisa?", pergunta o bailarino Roberto Oliveira, idade não revelada, olhando na direção do casal.
Quinta passada eu fui naquela exposição Rockers, que tá rolando na FAAP. São 270 imagens do fotógrafo Bob Gruen, que se especializou em registrar shows de grandes bandas de rock e foi durante um tempo o fotógrafo oficial do John Lennon.
Uma delícia, recomendo. A mostra foi dividida em ambientes, tipo punk rock, John Lennon, e cada um tinha trilha sonora específica. Havia três telões: em dois, registros de shows feitos pelo fotógrafo e sua esposa (shows do Blondie e dos New York Dolls); e no outro uma "palestra" dada pelo próprio, na qual ele explicava como conheceu as bandas e a história de cada foto.
Fiquei passada com um trecho em que ele diz que não fotografa mais. Ele explica que hoje, para fotografar o show de uma banda, leva-se alguns meses para se cadastrar com a assessoria da mesma, e isso garante uns dois ou três minutos na frente do palco para tirar as fotos.
O que eu achei mais bacana nas fotos que vi é que elas registravam grandes momentos durante os shows. E randes momentos não acontecem com hora marcada. Deve ser por isso que as fotos de shows de hoje são umas drogas. Ensaiadas e frias. Iguais às músicas, aliás.
Além do mais, antes os fotógrafos eram 'amigos' das bandas, as quais eram bem mais acessíveis. Foi assim que Bob Gruen convenceu Joe Strummer a tirar a foto que ilustra esse post. Hoje qualquer bandinha one hit wonder anda por aí de limusine e faz fotos em estúdio. Com hora marcada, claro.
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Mas esse Botafogo é uma sumidade.
Sente o roteiro: pelas semifinais da Copa do Brasil, o Botafogo vai na casa do Figueirense e toma de dois a zero. Hoje, em casa, o Botafogo faz dois a zero no Figueirense.
44 do segundo tempo. A galera já se aquecendo para a cobrança de pênaltis, e então o glorioso Botafogo toma um gol do Figueirense. Marcado por um cara que atende por Cleiton Xavier, num belo frango do goleiro do Botafogo.
E como se trata de Copa do Brasil, tomar um gol em casa significa ter que fazer quatro. Coitado do Botafogo, ainda fez terceiro (bem, foi contra, mas o juiz deu), mas aí acabou o jogo.
O melhor foi o comentarista da Sportv: "Bom, o que é que eu vou falar..."
A cada dia eu gosto mais do Botafogo.
PS: update necessário para mais uma sacaneada sensacional do Kibe Loco (clique na imagem para ampliar)
Adoro o Clodovil. Inteligente, sarcástico e culto, ele tem tudo para ser o homem perfeito. E deve ser por isso que ele é gay.
Bah, mesmo assim adoro o Clodovil. A despeito da decoração nababesca que ele fez no gabinete dele, meio que se esquecendo de que poucos meses atrás não tinha dinheiro nem pra comprar seus produtinhos de primeira necessidade da Lancôme. E que o dinheiro gasto na escultura da naja podia botar comida em muita mesa.
Mas... bom, eu adoro o Clodovil. Mesmo ele tendo dito a maior merda do mundo ao insinuar que tinha judeu por baixo do pano na história do holocausto - o que, no mínimo, é uma teoria de conspiração daquelas completamente inverossímeis e, no máximo, um atestado de ignorância que nem o Lula seria capaz de passar.
E eu adorei o Clodovil dizendo praquela deputada feia que ela é... feia. E ela, que estava toda-toda, evitando a discriminação das mulheres, agiu como mulherzinha. Chorou e foi pedir arrego para um homem. Depois ninguém entende porque mulher não é respeitada.
Na minha opinião, falar que uma mulher 'trabalha deitada e descansa em pé' não é desrespeito. É sinceridade. O Clodovil não é a única pessoa que pensa isso. Mas com certeza é a única que fala. O empresário que fica quieto, mas que paga de salário pra uma mulher metade do que paga para um homem, esse nunca é cobrado.
Que seja, eu continuo adorando o Clodovil. Mas tenho pena dele. Porque com toda sua inteligência e cultura, ele não consegue fazer o que qualquer animal faz: se adaptar.
Parece estranho, mas quanto maior a sua personalidade, maior a sua incapacidade de manter a língua dentro da boca e evitar gerar comentários que dificilmente serão entendidos e facilmente serão reprimidos. Com todo seu brilhantismo, ele não enxerga algo que até eu já enxerguei. Que estamos na fase dos politicamente corretos.
Você pode pensar o que quiser, desde que não conte pra ninguém. Porque hoje em vez de combater preconceito, as pessoas combatem a liberdade de expressão. Enquanto o preconceito persiste, como sempre, velado.
E é por isso que eu adoro o Clodovil.
PS: e depois de ser demitido de todas as redes de TV do país, quanto tempo levará Clô pra conseguir ser 'demitido' da câmara dos deputados?
É isso que dá empatar com o Audax Italiano em casa... E de plus no castigo vc tem que agüentar o Galvão Bueno falando "Quareeeeeeenta e dois minutos", "Quareeeeeenta e três minutos", "Quareeeeeeeenta e 'minha mãe tá na zona' tantos minutos". Foda-se. Agora aprendo matemática sossegada na quarta.
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Interpretando textos com a tia D
Quando algum cara que sumiu há alguns meses sem se dar ao trabalho de deixar vestígios reaparece em forma de mensagem de texto no seu celular dizendo "estou com saudade pra caralho de vc", o que ele quer dizer?
a) Ó, meu amor, neste tempo em que estivemos separados eu pude ver a falta que vc faz na minha vida, repensei a nossa relação e concluí que devemos nos dar uma nova chance
b) Achei que ia comer todo mundo, mas a mulherada tá muito difícil
Sabe, eu tenho comprovação científica de que se chover homem, cai uma bicha no meu colo. No entanto, se rola um surto de gripe, eu também pego. E em algum momento em que eu não prestava atenção alguém colocou uma esponja molhada dentro do meu nariz, e desde então ele não funciona mais.
E tem uns serezinhos invisíveis dando porrada no meu corpo e enfiando agulhas em mim, enquanto outros aumentam a temperatura do meu apartamento para 50 graus celsius - e eu nem sabia que essa birosca tinha sistema de calefação.
O auge do meu dia foi ler o catálogo do festival do banho da Leroy Merlin. Torneiras em promoção. Box pra chuveiro também. E umas banheirazinhas de hidro, pro caso do seu orçamento estar colaborando. O que, obviamente, não é o meu caso.
Enfim, estou numa autopiedade gritante.
E, nessas horas, só a home page do UOL salva. É um transbordamento de informações importantes como:
Eu sei como melhorar a vida a dois sem discutir a relação. É só fazer sexo dez vezes por dia. E pra isso o público-alvo da revista Cláudia só precisa de duas coisas: Olla Gel e Viagra.
O tempo passa, o tempo voa, e a poupança Bamerindus não existe mais. Mas a gente muda - ou acontece de um dia as pessoas nos surpreenderem.
Eu nunca achei que um dia seria surpreendida pelo Paulo Coelho. Bom, também nunca me esforcei para tanto. Nunca comprei um único livro dele. Tentei começar a ler O diário de um mago e achei a maior bosta que já li na vida.
Achava que ele era um idiota com um único mérito: fazer muitos brasileiros terem comprado um livro. Ainda que fosse um livro escrito por ele.
Mas eis que Paulo Coelho escreve um artigo na Folha (Tendências/Debates, de 02/05/07) acerca do 'acordo' entre o autor da biografia do Roberto Carlos, o cantor e a editora Planeta (que publica os livros do próprio Paulo Coelho).
E, convenhamos, manda bem pra caramba.
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O que é "contexto desfavorável"? PAULO COELHO
Tenho uma grande admiração por Roberto Carlos - recentemente, um dos mais importantes programas da BBC Radio me perguntou a lista de cinco discos que eu levaria para uma ilha deserta, e incluí um dos seus. E, apesar dos problemas normais decorrentes de uma relação profissional, tenho um grande respeito pela editora Planeta, que publica minhas obras no Brasil e em vários países de língua espanhola.
Dito isso, é com grande tristeza que leio nos jornais que, na 20ª Vara Criminal da Barra Funda, em São Paulo, os advogados do cantor Roberto Carlos e da editora Planeta fizeram um acordo que prevê a interrupção definitiva da produção e comercialização da biografia não-autorizada "Roberto Carlos em Detalhes", do jornalista e historiador Paulo Cesar Araújo. O editor diz um disparate para salvar a honra, o cantor não diz nada e o autor fica proibido de dar declarações a respeito. E estamos conversados.
Estamos conversados? Não, não estamos, e tenho autoridade para dizer isso. Tenho autoridade porque, desde que publiquei meu primeiro livro, tenho sido sistematicamente atacado.
Creio que qualquer pessoa em seu juízo normal sabe que, a partir do momento em que sua carreira se torna pública, está exposta a ter sua vida esquadrinhada, suas fotos publicadas, seu trabalho louvado ou enxovalhado pelos críticos. Isso faz parte do jogo e vale para escritores, políticos, músicos, esportistas. Nem sempre essas críticas são justas e, muitas vezes, descambam para ataques pessoais.
Recentemente, um jornalista da mais importante revista brasileira disse que "Paulo Coelho não é apenas mais um mau escritor: seu obscurantismo é nocivo. Não se deve perdoá-lo pelo sucesso". Não sei o que estava propondo com essa frase, e não me interessa. Poderia alegar que minha honra está sendo atacada, que me acusa de ser um perigo para meu país, que deseja que eu seja preso. Mas vejo essas diatribes com outra ótica: elas fazem parte do jogo. A única coisa que não faz parte do jogo é a calúnia, e, pelo que me consta, isso não foi tema da ação judicial que levou à proibição de "Roberto Carlos em Detalhes".
Até hoje, desde que publiquei "O Diário de um Mago", há 20 anos, vi milhares de críticas negativas, mas apenas duas ou três calúnias a meu respeito, graças a Deus. Não me dei ao trabalho de contra-atacar porque não achei que valia a pena, embora me reserve esse direito se algo muito sério acontecer. Recentemente, em um jornal espanhol de primeiríssima linha, simplesmente inventaram uma resposta a uma pergunta a que havia me recusado responder. Claro, enviei uma carta ao diretor, e o jornalista teve que arcar com as conseqüências.
Estou pronto para defender minha honra, mas não vou perder um minuto do meu dia telefonando para um advogado e procurando saber o que faço para defender minha vida privada, já que ela não mais me pertence.
Diz o velho ditado: "Quem está no fogo é para se queimar". Eu acrescento: Quem está no fogo é para ajudar a fogueira a brilhar mais ainda. Não adianta o meu editor declarar que fez o acordo "porque o contexto era desfavorável". Ele precisa vir a público explicar qual é esse contexto -ou seja, se estamos falando de calúnia. Neste caso, tem meu apoio integral, pois calúnia é sinônimo de infâmia. Mas, caso contrário, está colaborando para que comece a se criar um sério precedente -a volta da censura.
Roberto Carlos tem muito mais anos na mídia do que eu; já devia ter se acostumado. Continuarei comprando seus discos, mas estou extremamente chocado com sua atitude infantil, como se grande parte das coisas que li na imprensa justificando a razão da "invasão de privacidade" já não fosse mais do que conhecida por todos os seus fãs.
Também continuarei sendo editado pela Planeta, pois temos contratos assinados. Mas insisto: gostaria que minha editora, dinâmica, corajosa, se instalando agora no Brasil, explicasse a todos nós, brasileiros, o que significa esse tal de "contexto desfavorável".
Desfavorável é fazer acordo a portas fechadas, colocando em risco uma liberdade reconquistada com muito sacrifício depois de ter sido seqüestrada por anos a fio pela ditadura militar.
E não entendo por que você, Paulo Cesar Araújo, "se comprometeu a não fazer, em entrevistas, comentários sobre o conteúdo do livro no que diz respeito à vida pessoal do cantor" (Ilustrada, 28/4). Não é apenas o seu livro, cujo destino foi negociado entre quatro paredes, que está em jogo. É o destino de todos os escritores brasileiros neste momento.
Não sei se vou ter as explicações que pedi. Mas não podia ficar calado, porque isso que aconteceu na 20ª Vara Criminal da Barra Funda me diz respeito, já que desrespeita minha profissão de escritor.
PAULO COELHO, 59, escritor e compositor, é membro da Academia Brasileira de Letras. É autor de, entre outros livros, "O Alquimista" e "A Bruxa de Portobello".
O pior é que a desocupada aqui viu o VT depois. E até os 36 do segundo tempo, mesmo estando o Cruzeiro com um jogador a menos, o Atlético só ganhava de 1 X 0.
De repente, rolou um "momento São Paulo" com os cruzeirenses ou algo que o valha.
Bom, pelo menos o meu time nunca tomou um gol assim.
Andei reciclando minhas idéias. De repente, sair na primeira fase da Libertadores não é de todo mau.
Principalmente considerando que tem gente que passa pra segunda fase da Libertadores, mas vai enfretar o Grêmio, que por sua vez tem a oportunidade de fazer o segundo jogo no Olímpico.
E aí, em casa, vc mete 4 no Grêmio. Chega no Olímpico, ele mete 5. E então vc mete 7 no Grêmio. Chega no Olímpico, ele te devolve 8, e com três jogadores a menos.
O vizinho corintiano já fez uma paródia para o momento, e a cantarolou hoje pela manhã. Fanho que é, não consegui etender tudo, exceto a parte "Mas o certo é que arregaremos para o Grêmio, onde o Grêmio estiver".
E, considerando tudo isso, estou começando a achar interessante a idéia de gastar as minhas quartas-feiras aprendendo matemática.
Mas já temos um culpado: Juscelino, o faxineiro aqui do prédio. Sem conseguir vender meu ingresso do jogo de ontem, eu o dei de presente ao Juscelino. Até então, o time tinha 100% de aproveitamento em casa na Libertadores. E então chegou o Juscelino, o zica.
Coitado do Juscelino. Interfonou aqui nove horas da manhã mandando avisar que foi ao jogo ontem e que gostou muito. Fiquei em dúvida se ele gostou muito da Morumbi Premium ou se ele é um corintiano disfarçado.
Eu sempre fui um lixo em matemática. Um lixo, não. Uma ameba. Uma completa tapada. Aliás, a matemática era um atestado de burrice diário que eu passava a mim mesma durante o colegial. Era aquela mistura de letrinhas, pequenos números em cima de outros números, às vezes contas em cima de outros números, aquela merda de raiz quadrada e toda aquela porra que eu nunca soube pra que servia. By the way, não sei até hoje.
Eu tive dois grandes desafios na minha adolescência: achar um namorado que não fosse idiota e achar o valor de x pra não me sentir uma idiota. Fracassei nos dois. Inclusive, se não fosse por um colega que eu tive (glorioso Pedro Ivo, que trocava de prova comigo para que eu pudesse chupar as provas de matemática, física e química que ele fazia maravilhosamente bem), eu dificilmente teria saído do colegial. Bom, por ele e pelos professores que fingiam não perceber que aquela anta que tirou zero nos dois primeiros bimestres tirava dez nos dois últimos...
Aliás, meu ódio à matemática se estendeu às pessoas que gostavam de matemática - à exceção de São Pedro Ivo, por razões óbvias. Sabe que no colegial vc quer os bofes da faculdade, né? (tudo isso pra depois vc ficar velha e voltar a correr atrás dos meninos de colegial, mas isso é assunto pro meu psiquiatra). Enfim, arrumei o meu. Tinha lá seu cabelo comprido, se vestia feito um mendigo da praça da Sé e tinha o dobro da minha altura. Em suma, tudo que eu achava sensacional num cara à época.
Pois um belo dia ele me fala sem mais nem menos que cursava matemática na USP. MATEMÁTICA NA USP! Ele podia ter me dito que era gay; eu aceitaria. Ele podia ter me dito que era viciado em cola de sapateiro; eu compreenderia. Ele podia até ter me dito que batia na mãe, que eu relevaria. Mas matemática na USP não era o tipo de característica que eu buscava num cara. Uma mulher pode ser trocada por outra mulher mais bonita que ela. Acontece. Ela também pode ser trocada por um homem. Tudo bem, ele tem algo que ela não tem. Trocada pelo futebol, normal. Pelo boteco com os amigos, rotina. Mas ser trocada pela função de x é o tipo de coisa que acaba com a auto-estima de uma fêmea. E eu nunca estive disposta e diminuir o meu já minúsculo amor próprio.
Muito que bem. Dez anos de análise e duas faculdades de humanas depois, Denise é tomada por mais uma de suas incríveis crises de fogo no rabo. A do ano passado foi aprender chinês [wo ai wo de mama - o legado]. A deste ano foi me matricular num curso de economia.
E adivinha o que tem de sobra no curso de economia? Sim, matemática, bastante matemática. Tem derivada, tem função, tem integral, tem estatística, ou seja, toda aquela merda da qual eu tinha certeza de que havia me livrado.
Sem contar que o mais legal é que eu não tenho um único amigo que gosta de matemática, logo, não tenho pra quem pedir aulas particulares de matemática. O que significa que eu vou ter que fazer a outra coisa que eu também odeio mais que matemática: pagar - e pagar pra alguém me ensinar matemática. Porra, é praticamente a mesma sensação de sair na rua agora e pagar 50 conto pra um mendigo encher minha cara de bolacha. Eu devia ter mantido contato com o moço da matemática na USP, pelo menos seria de graça.
Agora estou pensando em como vou apelar para ao menos aprender matemática sem ter que pagar. Andei tendo idéias. Pensei em aparecer no campus da USP aqui de São Paulo e me aproximar do cara mais feio do curso de matemática que eu encontrar. Eu faria uma proposta irrecusável: "Você me ensina matemática e eu te ensino a gostar da vida". Sim, porque meu preconceito persiste. Eu ainda acho que alguém que gosta de matemática não gosta de viver.
atenção para a cara de quem tava acreditando da mulher da foto
Olha, eu juro que não torci contra (já que nem vi o jogo; estava numa excitante aula de estatística, guiada por um professor que faz concorrência aos laboratórios produtores de calmantes).
Mas, convenhamos, o mínimo que um campeão deve fazer na competição seguinte é cair nas quartas de final (sim, porque nas oitavas tb pega mal; vide corinthians). Pra cair na primeira fase era melhor um WO.
Pelo menos podia passar a imagem de ter dado uma esnobada...
Ok, que disputar essa Libertadores parece mesmo uma perda de tempo. Essa merda do Santos avisa a cada jogo que não vai ter pra mais ninguém. Hãããã... mas não era isso que diziam do São Paulo no ano passado?
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Enfim, minha aula de estatística. Eu bati o carro hoje quand me encaminhava para ela - é claro que eu bati o carro. Afinal, uma semana antes de a minha carta - comprada - chegar, eu tnha que dar uma emoção na história e bater o carro.
E com tanta gente no mundo, eu tive que bater no carro ALUGADO de uma senhora de Araraquara, que cinco minutos depois já ligava no meu celular, falando que tinha anotado a placa do meu carro. Que bom. Ela pode juntar esse número ao número de telefone que eu dei a ela. Como até ela deve ter sido capaz de concluir, estão todos corretos.
Um amassadinho de nada e a nega me fazendo mover montanhas. Me liga o cara da seguradora e pergunta como foi a batida. Me manda fazer ocorrência. Não posso. Me manda levar meu carro na oficina tal. Não quero. Meu carro sempre teve amassados. É o charme dele, junto à ausência de calotas. E impõe um puta respeito. A pessoa pensa: "Se essa nêga tá andando num carro amassado e sem calota, é melhor eu não fechar ela". E quando isso parar de funcionar, vou deixar o escapamento estourar. Isso sim impõe respeito máximo.
Bem, tudo isso para dizer que eu realmente entrei na aula de estatística precisando de um lexotan. Mas, em vez disso, encontrei um gardenal falante, um sonífero em forma de gente, um homem que teve a capacidade de passar três horas escrevendo fórmulas na lousa.
Convenhamos, essas pessoas que optam pela área de exatas têm sérios problemas. Qual a graça em achar uma variável para o módulo de x ao quadrado dividido por um n? E qual a função disso para a vida? O cara foi incapaz de me dar uma aplicação prática para uma fórmula de 50 (CINQÜENTA!) caracteres que ele colocou na lousa. Ah, você descobre a variância! Tá, e depois eu faço o que mesmo com ela? Vou mostrar pra minha mãe?
O melhor é que minha sala está cheia de economistas, e eles não abrem a boca. Não sei se é porque eles entendem tudo ou porque estão catatônicos.
Já eu estou de saco cheio mesmo. Mas teimando and counting. Semana que vem tem mais variância. Deus me ajude.
Denise diz (19:06): andei pensando... quando vc sonha q teu telefone tocou e era um cara (QQ CARA), isso significa q vc está encalhada?
Denise diz (19:07): e qdo vc vê 4 ligações não atendidas no seu celular, e elas são do seu psiquiatra, isso significa q vc é um fracasso?
Leandro diz (19:07): eu fosse você, jogava no jogo do bicho, como meu pai costuma fazer... se o cara é um cara que vc curte, pode jogar no macaco; se for um mala, joga no veado...
Leandro diz (19:08): não, do psiquiatra provavelmente é pq seu cheque voltou ou alguma coisa do tipo, pq até pra falar que vc é um fracasso ele vai agendar uma consulta só para te cobrar, e deve fazer isso em 5 sessões, já garantindo um tratamento contínuo para deixar faturamento agendado
Denise diz (19:09): porra, leandro!
Denise diz (19:09): cadê o amor?
Leandro diz (19:11): o amor também está pago, você pode escolher um amor barato, mas este fala probrema, ou um amor mais caro, este ou esta é mais requintado, com mais classe, mas cobra por hora e não está sujeito a sedução... é um serviço frio e calculado... ahhh, e claro, cada serviço tem sua taxa... só sexo papai e mamae é x, chupeta é y, se for querer anal é bem mais caro... e depende da cara do cliente
Mutuca O termo mutuca é a designação comum a todos os insetos dípteros da família Tabanidae, de corpo robusto e de tamanho médio a grande, sendo apenas as fêmeas hematófagas. São incômodas ao gado e ao homem, devido às suas picadas dolorosas. Também são conhecidos pelos nomes de butuca, moscardo, motuca e tavão. (fonte: Wikipedia)
Denise Mulher de sucesso, sempre dentro do peso, apaixonada por Marlboro de filtro amarelo, coca-cola light e doce de leite Aviação. Não pode ser exposta ao sol sem bloqueador fator 60, mas insiste em cortar grama de biquíni para exibir sua formosura aos insetos locais. Vai entrar no Guiness Book como a única mulher que conseguiu ser picada por uma mutuca duas vezes. Uma em cada orelha. (fonte: eu mesma)
Meu Deus, que jogo. Valeu a nota preta do ingresso, valeu a rampa de 90º da volta e valeu aturar as pessoas idiotas que fingiam estar tossindo toda vez que eu acendia um cigarro.
E o goleiro deles veio fantasiado de Tinky Winky de novo. E o pior é que ele fez umas 2 ou 3 defesas ignorantes. Uma pena. Mas três a zero tá bom. E o moço aí da foto acabou com o jogo.
Triste foi chegar em casa doida pra ver a reprise dos gols pela TV e dar de cara com o Alemão e a Íris na Sportv falando sei lá eu o quê com o Milton Leite e o Paulo Cesar Vasconcellos (sim, porque o conhecimento empírico ensina que ao ver Alemão e Íris na TV, deve-se colocá-la instantaneamente no mudo).
E o Vashco, hein? Nada de mil gols de Romário e ainda eliminado em casa pelo Gama. E o Náutico é o próximo adversário do Timão na Copa do Brasil. Porque a temporada não começa enquanto o Corinthians não tomar gol de um cara que atende por Kuki.
Casal briga na Justiça para registrar bebê com nome de "Metallica" da Folha Online
"Metallica" pode ser um nome bacana para uma banda de heavy metal, mas, segundo um casal na Suécia, o nome também é ideal para sua filha de seis meses.
Autoridades do país, no entanto, discordaram da opção de registro do casal, levando Michael e Karolina Tomaro a uma batalha judicial que já dura meses, informou nesta terça-feira a agência Associated Press.
O casal vem enfrentando autoridades locais, as quais rejeitaram a escolha do nome "Metallica" para uma garota de seis meses de idade.
"Combina com ela", disse nesta terça-feira Karolina Tomaro, 27. "Ela está decidida e sabe o que ela quer."
Embora a pequena Metallica já tenha sido batizada, o Conselho Nacional de Registro Sueco recusou o registro do nome, afirmando que haveria uma relação estabelecida entre a menina, o grupo de rock e a palavra "metal". Tomaro disse que os oficiais também classificaram o nome como "feio".
O casal passou pela Corte Administrativa em Goteborg, a qual julgou, no dia 13 de março, que não havia razão para que o nome fosse proibido. A corte também observou que já havia uma mulher na Suécia cujo nome do meio também era "Metallica".
A agência apelou a uma corte mais alta, frustrando os planos de viagem da família.
"Cancelamos nossas viagens e não podemos ir a lugar algum porque não podemos obter o passaporte para ela sem que o nome seja aprovado", afirmou Tomaro.