Feliz ano novo... e as voltas que o mundo dá
A gente tem mania de olhar pras pingas, já dizia o meu pai, posteriormente citando o ditado “Você vê as pingas que eu tomo, mas não vê os tombos que eu levo”.
Pois bem, 2011 foi o melhor ano da minha vida. Perdoem-me aqueles que não tiveram um ano tão bom, um ano mais ou menos ou um ano de merda. Pra mim aconteceu. E foi lindo.
E é assim mesmo que funciona. Provavelmente vc teve seu melhor orgasmo enquanto eu via TV aberta numa tarde de domingo, e eu nem reclamei, então faça a gentileza de não me rogar praga agora.
A verdade é que a vida é um movimento constante, e nós nem sempre estamos na mesma fase. Vi hoje que um cara morreu e deixou esposa e 3 filhos. O réveillon deles não vai ser tão bom quanto o meu. Mas provavelmente foi melhor que meu réveillon de 2006 quando eu passei a virada com as pernas enfaixadas por causa de uma cirurgia e a garganta infeccionada, tomando um antibiótco caríssimo que não funcionava...
São tantos os tombos, que eu já me sinto à vontade pra divulgar as pingas, então vamos a elas.
Os fracassos são muito mais importantes do que a gente imagina. Além de nos dar assunto pro Twitter, eles servem pra nos fazer crescer, pra nos fazer superar, pra nos fazer melhores. Eu tive muitos, mas muitos mesmo, maus momentos nos últimos anos.
Eu não contei pra ninguém pq eu não queria correr o risco de deixar algum filho da puta feliz com a minha desgraça. Mas eu conto agora: eu cresci com eles.
Eles vieram numa sequência sem fim, e se arrastaram por bem mais que um ano. E eu aguentei quieta, sozinha. E ninguém perguntou, e eu nunca contei. E ninguém nunca se preocupou a ponto de insistir, e eu nunca me importei a ponto de compartilhar. Eu dei meu jeito, eu superei e passou.
E eu escrevo isso ouvindo Ramones, que era a mesma coisa que eu ouvia quando me trancava no meu quarto e não falava com ninguém, porque eu achava que era perda de tempo e ninguém me entendia mesmo.
A diferença é que antes eu me importava se iam me entender e hoje eu me importo se meu plano de previência privada rendeu o que o banco me prometeu que ia render.
Enfim, aprendi muita coisa – ainda não aprendi a a ser menos prolixa, mas saiba que isso está na lista --, e hoje eu me gabo de ter tido um ano foda, de ter conhecido pessoas incríveis, de estar com uma pessoa que eu me orgulho de ter ao meu lado.
E o mais importante de tudo isso é que eu aprendi que pode ser que no ano que vem eu esteja aqui reclamando que tive o pior ano da minha vida, que tudo deu errado e blá blá blá. E sabe por quê? Por que a vida é assim. É uma sequência de coisas que dão certo e errado, independentemente do que vc quer.
A diferença é que à medida que vc amadurece, vc consegue escolher se vai seguir por aqueles caminhos tortuosos ou se vai pegar a estrada com caras bronzeados com rolas de 90 cm batendo na sua cara ao som de Rod Stewart cantando “Do you think I’m sexy?”.
Aconteceu com vc? Pois é, comigo tb não. Enfim, vc se envereda pelos caminhos tortuosos pq essa é a opção que vc tem, e vc tenta fazer o melhor com o que a vida te dá.
Pois em 2011 a vida me deu mais, e eu estava pronta para aproveitar isso. Eu não estava pronta em 2007, nem em 2008, nem em 2009 ou 2010. Eu estava pronta neste ano e recebi o melhor que eu podia receber e me deleitei com isso. E foi bom pra caralho.
E sabe o que eu vou fazer segunda-feira? Eu vou começar tudo de novo. Como você. Como todo mundo. Torcendo pra dar certo, torcendo pra fazer o meu melhor. Se eu fracassar? Acontece, já fracassei tantas vezes, não vai ser novidade. Se eu me der bem? Vou ficar no mais intenso silêncio, pq tenho medo de gente que vê que vc tá feliz e começa a rogar praga na sua felicidade.
Em suma, vou tomar meu garrafão de cachaça e ficar insistindo que foi só uma dosezinha.
Feliz 2012 a todos que me fizeram ver que a vida tem coraçõezinhos. Vocês sabem quem vocês são. E vocês foram verdadeiros heróis por terem conseguido ler essa merda até o fim.
<3